Programa Voar - conheça Bartira Gomes de Almeida, a idealizadora do Instituto Ponte
Para muitos estudantes em vulnerabilidade social, um Ensino Básico de qualidade é um sonho distante e a graduação, uma meta inatingível. Tocada por esta realidade, em 2014 a engenheira capixaba Bartira Gomes de Almeida decidiu deixar a gerência da construtora dos pais para criar o Instituto Ponte, voltado à formação acadêmica desses jovens. A ONG já apoiou a trajetória de 466 alunos e, em 2023, tornou-se parceira do Instituto Ling no Programa Voar, que dá suporte a esses alunos nos primeiros passos no ensino superior.
A capixaba Bartira Gomes de Almeida trabalhou como executiva na construtora fundada por seus pais até 2014, quando uma guinada em sua vida a destinou para outro propósito.
“Costumo dizer que fui sorteada na loteria do CEP. Quando nasci, meus pais já eram de classe média, e enquanto cresci, foram melhorando o padrão de vida. Na década de 1960, minha mãe era a única mulher engenheira da sala dela, e fundou a incorporadora com meu pai”, lembra Bartira.
Depois de seguir os passos da mãe e se formar engenheira, passou 20 anos na incorporadora familiar. Com a aposentadoria dos pais e a discussão sobre a sucessão da empresa, decidiu tomar outro rumo. “Com todo o privilégio que eu tinha, minhas contas pagas, refleti: o que quero fazer da segunda metade da minha vida?”, conta.
A resposta veio por meio do trabalho social: “conversei com muita gente que fez mudanças de vida, e sempre diziam que, nos trabalhos sociais, eles ganhavam mais do que recebiam”, afirma. Então, partiu em busca do projeto que iria mudar a sua história – e de centenas de jovens. Visitou dezenas de instituições sociais, e percebeu que desejava fazer um trabalho mais voltado para resultados mensuráveis, como era de seu costume na engenharia.
“Nunca tinha pensado em abrir uma ONG na vida. Mas olhei para aqueles exemplos e conclui: se quero trabalhar da mesma forma que eu trabalhava na empresa, mas com uma causa, e se aqui no Espírito Santo não tem uma ONG assim, eu tenho que fundar uma”. Estava decidido: em 2014, nascia o Instituto Ponte.
A inspiração da mãe, que a ensinou o que era feminismo na prática, acompanhou Bartira também nesse momento. “De início, ela não apoiou tanto. Disse que eu estava procurando problema. Mas também disse: ‘da sua vida, você tem o direito de fazer o que quiser, porque da minha, eu fiz o que quis’”, conta.
Impactando o Espírito Santo e o Brasil inteiro
O projeto começou com uma turma de 19 alunos no Espírito Santo. Na pandemia, as aulas forçadamente digitais abriram novas possibilidades para contemplar alunos de outros lugares do Brasil. “O Instituto passou a atuar de forma híbrida. A sede é em Vitória, mas hoje temos alunos oriundos de 19 estados”, celebra Bartira. “Em 2022, fiz um primeiro teste com cinco alunos de fora do estado. Ao final do ano, minha conversa com eles trouxe os mesmos resultados dos alunos que participavam presencialmente: sonhavam com profissões, com um novo mundo”.
Estudantes de destacado desempenho em escolas públicas podem se inscrever para o processo seletivo do Instituto Ponte do 7º ano do ensino fundamental ao 2º ano do ensino médio. Os alunos precisam comprovar renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo, excelente desempenho escolar e um interesse sustentado pelos estudos.
A seleção dura seis meses e inclui testes de português e matemática, bem como entrevistas. Os estudantes aprovados recebem bolsas de estudo para escolas particulares parceiras, e todo o apoio para frequentar a instituição: auxílio com uniforme, material e transporte. Curso de inglês também é garantido. No contraturno, o Instituto Ponte realiza aulas de desenvolvimento pessoal, reforço escolar, acompanhamento pedagógico e psicológico e orientação profissional.
Hoje, o Instituto Ponte já ajudou mais de 400 estudantes a fazer justamente o que a mãe de Bartira a ensinou: ter o poder de construir o futuro que desejam.
Os resultados que mais orgulham Bartira estão relacionados ao objetivo maior do instituto: promover a ascensão social. “Os nossos primeiros 11 alunos estão se formando na universidade agora. O maior sonho do Ponte, que é a ascensão social, acontece para 38% dos alunos já na graduação: a partir do segundo ano, eles já têm uma renda mensal 2,7 vezes maior que a renda per capita familiar”, comemora Bartira.
“A taxa de desistência no ensino superior no Brasil é muito alta, chega a mais de 30%. Nosso índice no Instituto Ponte é de 2%. Atribuo isso ao acompanhamento que fazemos: os alunos percebem que colegas enfrentam os mesmos problemas que eles. E em casos mais críticos, os auxílios fazem toda a diferença”, conclui Bartira. “Acredito muito na ponte, na troca, na associação. Aqui, na ONG, somos exemplo de que dá para fazer”.
Programa Voar – Parceria para transformar vidas e comunidades
“Todos nossos alunos do Instituto Ponte concluem o ensino médio, e 96% entram na universidade dentro de um ano”. Para Bartira, quanto mais longe os alunos chegam, mais altos ficam seus sonhos. “Aí entrou a importância do Instituto Ling, porque eu não dava auxílio para Ensino Superior. Era uma lacuna. E se os alunos vão para grandes faculdades, sonham mais alto, tem uma ascensão maior”, reflete.
Eduardo é um dos alunos exemplares para o Instituto Ponte: de Nova Ibiá, no interior da Bahia, foi aprovado no vestibular em 2025. O sonho de cursar Direito na Universidade de São Paulo (USP) estava mais próximo do que nunca, mas faltavam as condições para se manter na capital paulista. Com o apoio financeiro do Instituto Ling através do Programa Voar, pode se mudar para correr atrás de seu futuro. Hoje, com a bolsa recebida e o estágio que conquistou, já pode inclusive contribuir para a renda familiar.
Os exemplos de que o Programa impacta a vida de estudantes e de suas famílias são muitos. Ana Cássia hoje cursa Medicina na UNASP. A mãe dela contatou o Instituto Ponte, preocupada porque a filha não teria como se manter na cidade de Hortolândia, no interior de São Paulo. Hoje, ela recebe suporte do Instituto Ling para sua moradia.
Sobre o Voar
O Programa Voar apoia alunos desde 2014. A ideia veio de Cassius Leal, antigo bolsista do Instituto Ling em 1998, quando cursou um MBA na Universidade de Chicago.
Anos depois, ele ajudou a fundar a Associação Primeira Chance, uma organização da sociedade civil de interesse público. Desde 2011, a entidade busca a transformação social de jovens talentos, por meio do investimento na educação.
É um propósito similar ao do Instituto Ponte, que também entrou nesta parceria, assim como o Instituto Ling. Em 2024, o Instituto Queiroz Jereissati passou a apoiar o projeto.
As histórias são diversas, mas fatores em comum se repetem entre os 43 bolsistas atuais do Programa Voar. Os cursos mais populares entre estes estudantes são as engenharias e a medicina, seguidos pelo direito e pela ciência da computação.
Nas 12 edições do Programa Voar, já foram contemplados 98 bolsistas.