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O dinheiro está se tornando digital e isso impacta você - Por Fábio Plein

Há alguns anos, a segurança financeira de muitas famílias dependia de guardar notas de dinheiro e moedas em casa. A desconfiança com o sistema bancário centralizado fazia com que muitas pessoas preferissem a liquidez imediata das cédulas. Naquela realidade, qualquer transação dependia estritamente do papel. O tempo passou, a tecnologia evoluiu e hoje nossas transações são prioritariamente online. Com que frequência você faz pix? E quando foi ao banco sacar dinheiro pela última vez?

O dinheiro está se tornando digital e isso impacta você - Por Fábio Plein
Fábio Plain, bolsista MBA 2021.

Por Fábio Plein -  Diretor Regional da Coinbase para as Américas

Ao longo da minha trajetória na expansão da Uber no Brasil e depois no PicPay, pude ver como a tecnologia e a redução de burocracias ampliam o acesso ao sistema financeiro, diminuem barreiras e promovem inclusão. Foi nesse caminho que a arquitetura cripto me ajudou a entender algo mais profundo: o potencial de um sistema financeiro global, aberto e sem fricções. Nesse modelo, as criptomoedas introduzem pilares importantes da liberdade econômica, como maior controle sobre a própria propriedade, acesso a dinheiro digital, transações globais e mais autonomia financeira.

É nesse contexto que o Bitcoin e as stablecoins se tornam elementos centrais da ampla digitalização do dinheiro. Dentro desse contexto, Bitcoin e stablecoins são peças centrais da digitalização do dinheiro. O Bitcoin foi a primeira moeda totalmente digital e funciona como um ativo escasso e descentralizado, que pode ser enviado globalmente sem intermediários. Sua oferta é limitada a 21 milhões de unidades, o que o torna resistente à inflação e amplamente utilizado como reserva de valor.

As stablecoins, por sua vez, funcionam como um “dólar digital”, permitindo transferências rápidas e globais na internet com a estabilidade das moedas tradicionais. Elas facilitam pagamentos mais baratos, eficientes e acessíveis, conectando pessoas e empresas ao sistema financeiro global.

Juntos, Bitcoin e stablecoins, representam dois pilares complementares de uma arquitetura financeira mais aberta: o Bitcoin como uma forma de reserva de valor digitalmente nativa e sem necessidade de permissão, e as stablecoins como dinheiro digital programável e global. Ao migrar o dinheiro de sistemas fechados e fragmentados para redes digitais abertas, essas tecnologias têm o potencial de tornar os serviços financeiros mais acessíveis, eficientes e inclusivos, ampliando a capacidade de pessoas em diferentes partes do mundo participarem da economia global, independentemente de onde vivem.

Para garantir a total segurança desse sistema sem depender de uma instituição central, o Bitcoin utiliza a Blockchain, um livro de registros digital compartilhado simultaneamente por milhares de computadores ao redor do mundo. Essa rede descentralizada fiscaliza e valida todas as transações em tempo real, impedindo fraudes e assegurando que o Bitcoin permaneça um patrimônio seguro, limitado e sob o controle exclusivo de quem o adquiriu.

O futuro do dinheiro digital é promissor, pois a clareza regulatória nos EUA, liderada pelo GENIUS Act, que exige reservas de 1 para 1 em stablecoins, e pelo CLARITY Act, que vai definir a fiscalização entre a SEC e a CFTC, e deve ser votação no plenário do Senado em julho,  tem direcionado o ritmo do mercado global e deve atrair investidores institucionais que estavam aguardando maior clareza jurídica.

No Brasil, o Banco Central já estabeleceu um ambiente regulatório que permite a integração segura da tecnologia blockchain ao sistema financeiro, colocando o país entre os mais avançados nesse tema. À medida que a regulação avança e traz mais clareza ao setor, cresce também a capacidade de inovação e de participação de novos agentes no sistema financeiro.

Assim como a internet e o Pix transformaram o cotidiano de forma quase invisível, a evolução dos ativos digitais aponta para um novo estágio em que a liberdade econômica deixa de ser um privilégio condicionado por fronteiras ou intermediários e passa a ser uma possibilidade mais ampla, acessível e integrada ao dia a dia das pessoas. Estamos otimistas com esse movimento e preparados para contribuir ativamente na construção desse futuro do dinheiro, um futuro que já começou e impacta todos nós.

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