D de dinheiro e I de independência, com Eduardo Bueno Imagem: Pintura de Georgina de Albuquerque, intitulada "Sessão Conselho de Estado". Licença: Creative Commons.

D de dinheiro e I de independência, com Eduardo Bueno

Nos dias 01, 08 e 15 de outubro, a partir das 19h, te esperamos junto com o jornalista e escritor Eduardo Bueno para conhecer mais sobre a história da Independência do Brasil. Se você ainda não se inscreveu, clique aqui!

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O dinheiro move a roda da história, e o Brasil teve que desembolsar bastante para se separar de Portugal

 

Por mais árduos e eventualmente tediosos que possam ser os livros de história econômica; por mais que a dita “história da vida privada” tenha adicionado mais cor e mais sabor à historiografia; por mais que jornalistas enxeridos tenham vindo meter o bedelho querendo deixar o assunto mais pop, o fato é que – virou, mexeu –, se você estudar a coisa a fundo, descobrirá o óbvio: o que move a roda da história é o dinheiro. Grana, money, tutu, plata, bufunfa, dindin. Sempre foi, continua sendo e por um bom tempo assim será. Claro que o poder importa. Mas – virou, mexeu –, de onde vem o poder? Pois é.

Assim, se você quiser saber como de fato foi e o que estava por trás da Independência do Brasil – que completa 198 anos nesse feriadão da Covid –, faça como os bons investigadores: follow the money... Vai acabar concluindo que a data-chave não foi a de um grito no meio do nada, em 7 de setembro de 1822; nem a de uma gritaria de dor e júbilo após ferozes batalhas na Bahia, em 2 de julho de 1823 e talvez nem 12 de outubro, quando o príncipe D. Pedro se tornou “imperador e defensor perpétuo do Brasil por vontade de Deus e dos povos”. A data-chave foi 29 de agosto de 1826, quando Portugal enfim reconheceu a “separação” do Brasil e, com a mediação da Inglaterra, assinou o Tratado de Paz, Amizade e Aliança. Tratado que custou os olhos da cara.

 

Imagem: Pintura de François-René Moreaux, 1844, intitulada "A proclamação da Independência". Licença: Creative Commons.

 

Começando que, para ajustar as pontas e acertas as contas, entre pai (D. João VI) e filho (D. Pedro I), a Inglaterra cobrou. Caro. Dizem as más línguas que os conselhos saíram por cem mil libras – e a conta ficou por conta do Brasil. E contam ainda que teve gente que aumentou um ponto. Dentre eles, o senhor de escravos e principal artificie do tratado por parte do Brasil, Felisberto Caldeira Brandt, que também teve que gastar muita lábia para que a Inglaterra reconhecesse a independência sem obrigar o Brasil a abolir a escravidão. Ele conseguiu. Para Portugal, o Brasil pagou mais de dois milhões de libras – e a melhor parte: precisou assumir a dívida que Portugal tinha com... a Inglaterra. Assim, anote aí e não perca as contas: a Independência virou negócio fechado quando Caldeira Brandt fez um empréstimo de 3.686.200 de libras junto aos bancos Barings e Rothschild, com juros de 5% ao ano. E quer saber a real? Em reais, patacas ou caraminguás, a dívida era impagável. Foi o preço da Independência. 

Acabo de lançar Dicionário da Independência – 200 anos em 200 verbetes. Com base nele, vou ministrar um curso on-line no Instituto Ling sobre esse folhetim novelesco com diferentes personagens e muitos desdobramentos - e que explica como naquela ocasião, como em tantas outras antes e depois dela, o Brasil mudou para ficar igual. Corre lá, para não ficar mais em dúvida, mesmo que fique em dívida com seu cofrinho....Afinal, isso bem pode ser sinal de independência.      

 

*Texto de autoria de Eduardo Bueno.