exposição

CÔA ROAD MOVIE – EXPOSIÇÃO DE GUILHERME DABLE E MARCELO MOSCHETA

13/10/2026 às 19h até 30/01/2027 às 20h

CÔA ROAD MOVIE – EXPOSIÇÃO DE GUILHERME DABLE E MARCELO MOSCHETA

O Instituto Ling apresenta Côa Road Movie, exposição de Guilherme Dable e Marcelo Moscheta.

Resultado de uma expedição artística realizada ao longo dos 135 km do rio Côa, no interior de Portugal, a mostra reúne desenhos, pinturas, aquarelas, fotografias e diferentes registros produzidos durante e após a travessia. Ao percorrerem o território da nascente à foz, sem roteiro pré-definido e em constante diálogo com a paisagem, os artistas desenvolveram um processo de observação, deslocamento e criação que transformou a experiência da viagem em matéria artística. As obras apresentadas refletem sobre memória, tempo, território e os limites entre expedição, viagem e ateliê, propondo um percurso sensorial por um lugar marcado pela ocupação milenar e pela preservação ambiental.

A abertura acontece no dia 13 de outubro, terça-feira, às 19h, com uma conversa aberta ao público entre os artistas Guilherme Dable e Marcelo Moscheta. No encontro, a dupla compartilhará as experiências, percursos e processos de criação que deram origem à exposição. Para participar, basta realizar inscrição prévia e gratuita pelo site.

 

CÔA ROAD MOVIE:

navegar sem roteiro

Em maio deste ano, percorremos os 135 km do rio Côa, no interior de Portugal, da nascente à foz, atravessando em 10 dias um território de ocupação milenar e preservação ecológica rara, sem roteiro fixado de antemão, sem trabalhos pré-definidos, e sem pontos de retorno. Somos amigos há 15 anos, mas nunca antes havíamos trabalhado juntos. 

Nesse ateliê a céu aberto à beira do rio, fomos entrando em um estado de atenção constante — talvez uma espécie de urgência, por saber que, ao mesmo tempo em que lidávamos com o frescor de encontrar uma paisagem pela primeira vez, nessa expedição em linha reta teríamos uma chance única em cada paragem. Por causa disso, não apenas os lugares escolhidos no mapa se tornaram pontos de atenção, mas campos à beira das estradas tiveram suas cercas puladas e acostamentos foram usados como base quando subimos encostas para fotografar e desenhar, em um processo de impregnação da experiência da paisagem, que deixava de ser contemplativa para se tornar ativa, em uma constante negociação de nossa presença e nossa ação com a natureza. 

CÔA ROAD MOVIE registra tanto um silencioso jogo de permissões ocorrido de modo imediato, em nossas ações efêmeras quando em campo, quanto o que ocorreu de volta a nossos ateliês, individualmente, em negociação com os registros, os materiais coletados e a memória. Duas tentativas de abranger o tempo e a experiência compartilhada de um lugar suspenso no tempo e deslocado da lógica contemporânea, entre gravuras rupestres de 20.000 anos de idade, praias fluviais desabitadas, vida selvagem e caminhos que só existem para quem os percorreu. Um rio de sedimentos e memória, uma reflexão sobre os limites entre expedição, viagem e ateliê. Mais sensorial do que narrativo, como olhar pela janela de um carro em movimento. 

Ao final o percurso, o que resta não é um relato ilustrado de uma expedição, mas um conjunto de superfícies que carregam, em sua materialidade, o próprio tempo do deslocamento: suas paradas únicas, seus ruídos, suas saturações e decantações. Navegar sem roteiro foi, para nós, a única forma de deixar que a paisagem — estrangeira, milenar, silenciosa — encontrasse sua própria linguagem sobre o papel.

Guilherme Dable e Marcelo Moscheta

 

A exposição permanece em cartaz até 30 de janeiro de 2027, com visitação livre de segunda a sábado, das 10h30 às 20h. Visitas mediadas para grupos podem ser agendadas previamente, sem custo, pelo site do centro cultural.

 

Esta programação é uma realização do Instituto Ling e Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio da Crown Embalagens.

PRONAC 254634

 


 


ficha técnica da exposição

  • Artista

    Guilherme Dable e Marcelo Moscheta

  • Identidade Visual

    Adriana Tazima

  • Produção Executiva

    Laura Cogo

  • Programa Educativo

    Gisele Marteganha


Sobre o Artista

Guilherme Dable e Marcelo Moscheta
Foto: acervo pessoal

Guilherme Dable (1976, Porto Alegre, Brasil) foi um dos fundadores e co-gestor do Atelier Subterrânea, espaço independente baseado em Porto Alegre, ativo entre 2006 e 2015. Vive e trabalha a partir de Porto Alegre.

Sua pesquisa abarca principalmente as linguagens do desenho e da pintura, expandindo-se para investigações que flertam com a ocupação do espaço, não se atendo somente aos suportes tradicionais das linguagens. Ao pensar relações entre arquitetura, paisagem e as características diagramáticas da linguagem do desenho, utiliza eventualmente métodos não convencionais para produzir desenhos, tais como instrumentos preparados ou a umidade dos sapatos.

Suas obras estão nas coleções públicas do Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAM/RJ), do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), da Fundação Vera Chaves Barcelos (FVCB), do Instituto Ling, do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS), da Casa do Olhar Luiz Sacilotto e da Coleção Gilberto Chateaubriand, entre outras.

Foi artista residente no Vermont Studio Center (Estados Unidos) em 2015, no Instituto Cultural Torus (Brasil) em 2018, e no Kristinestad Artist Residency (Finlândia) em 2024.

 

Marcelo Moscheta (1976, São José do Rio Preto, Brasil) é artista visual e pesquisador cuja prática articula base processual e profunda referência conceitual. Formado em Educação Artística pela UNICAMP, vive e trabalha atualmente em Portugal, onde dedica-se ao Doutorado em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra.

Sua pesquisa parte das relações primordiais entre o homem e o meio ambiente, explorando como as intervenções humanas emergem dos atos de perambular e caminhar.

Mais recentemente, seu interesse tem se desdobrado em direção às fronteiras culturais erguidas sobre territórios ancestrais, à arqueologia na península ibérica e aos saberes do artesanato vernacular — investigando o modo como a condição nômade e migrante da humanidade molda a paisagem habitada. É um corpo de interesses que aprofunda sua leitura sobre pertencimento, tempo e escala, e que se constrói por meio de uma aproximação íntima a novos territórios e paisagens, através de residências artísticas e caminhadas.