exposição

Decupagem | Iole de Freitas | 2021

22/01/2021 às 10h30 até 29/05/2021 às 22h

Decupagem | Iole de Freitas | 2021

A exposição Decupagem da artista Iole de Freitas, com curadoria de João Bandeira, esteve em cartaz de janeiro a maio de 2021, na Galeria do Instituto Ling.

A exposição reuniu 26 obras e 90 documentos que apresentam o percurso artístico de Iole de Freitas em mais de 40 anos de atuação. A mostra contemplou desde os primeiros trabalhos da artista mineira, criados na década de 1970 em Super 8; passando pelas investigações do espaço real, que buscavam a integração das obras com o ambiente arquitetônico na década de 1980; e pelas produções mais recentes, em estrutura de aço inox recortado. Contou ainda com esculturas em diversos outros materiais, como fio de cobre e latão, além de fotografias, maquetes e desenhos.

 

Assista abaixo o documentário sobre a exposição:

 

Vinda do vocabulário cinematográfico, significando ações que produzem continuidades a partir de recortes, a noção de decupagem poderia caracterizar sumariamente a extensa produção de Iole de Freitas, em mais de quatro décadas de atividade artística. Como se pode ver nas obras e documentos desta exposição, desde os anos 1970 seu trabalho se desdobra em continuidades que, em boa parte, vivem de sua disposição entrecortada. Da faca que avança rompendo um tecido, em um de seus filmes daquela época, até os desvios com que tubos metálicos e placas de policarbonato recortam os espaços onde se instalam ao lançarem-se neles, em obras mais recentes. Pode-se pensar também nas sequências fotográficas em que um corpo se entrega ao olhar apenas na medida mesma em que se reflete em fragmentos, nos trabalhos em que diversos materiais industrializados encadeiam suas diferenças, no entrelaçar complexo de telas e fios metálicos de seus relevos ou nas novas esculturas de aço que, como várias de suas instalações, interrogam-se sobre até que ponto o atravessamento de formas em contraposição chega a constituir um ser.

Iole também decupa minuciosamente o que intenciona produzir. Mas permitindo-se alterações de percurso durante o confronto direto com as propriedades dos materiais que utiliza em suas obras. E em função de sua situação, isto é, do leque de relações que se estabelecem entre elas e os espaços em que se encontram, modificando-se reciprocamente. Nesse constante ir e vir, o desenho, em suas mais diversas maneiras, parece ser o principal instrumento de condução, decupando o fazer – seja a rápida notação de uma ideia vislumbrada, o diagrama para um filme, a procura repetida da melhor impulsão de uma curva numa peça tridimensional ou o comentário gráfico de uma instalação já realizada.

Associados a outros documentos da artista mostrados aqui, muitos desses desenhos possibilitam entrever a intuição e o raciocínio vertidos no trabalho, que revertem-se, para ela e para nós, em obras – incluindo desenhos. No entanto, assim como obras quando prontas não são, em si, um fim – dado que é justamente quando sua vida pública pode começar –, os desenhos diversos não são apenas testemunhos de origem. Entre anotações, projetos, estudos de elaboração variada e o que já obteve o estatuto de obra, tudo na fluidez tensa da produção de Iole de Freitas parece manter no horizonte as articulações do próprio movimento.

João Bandeira

curador

 

Instituto Ling · Audiodescrição Catálogo Exposição Decupagem, de Iole de Freitas

 


ficha técnica da exposição

  • Artista

    Iole de Freitas

  • Curador

    João Bandeira | Assistente de Curadoria: Carmen Garcia

  • Expografia

    Marcus Vinicius Santos | Assistente de Montagem Documentos IAC: David Forel | Montagem: Paulo Mog e Sérgio Pimentel

  • Textos

    João Bandeira | Revisão e tradução: Ana Beatriz Becker Fiori

  • Identidade Visual

    Adriana Tazima

  • Produção Executiva

    Laura Cogo

  • Programa Educativo

    Camila Salvá

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Sobre a Artista

Iole de Freitas

Nascida em Minas Gerais, em 1945, Iole de Freitas vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Iole inicia sua experiência com a arte através da dança e transita por diferentes linguagens artísticas e explora materiais muito variados. Na década de 1960, vai para Milão e trabalha como designer da Olivetti (marca histórica da indústria italiana). Na década de 1970, ainda na Europa, experimenta produções em fotografia e Super-8, utilizando o próprio corpo como material de investigação. Na década seguinte, passa a explorar a tridimensionalidade da matéria. E, a partir da década de 1990, começa a se aventurar na produção de esculturas de grandes dimensões, que se incorporam à arquitetura, como a instalação no átrio da Fundação Iberê Camargo. Desde os anos 1990, é professora na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Iniciou como professora de escultura e hoje analisa e orienta as produções artísticas dos alunos. Segue produzindo, e em diferentes suportes.

Crédito: João Bandeira