exposição

Dias Normais - Shirley Paes Leme

17/03/2026 às 19h até 06/06/2026 às 20h

Dias Normais - Shirley Paes Leme

O Instituto Ling tem a honra de apresentar Dias normais, mostra individual de Shirley Paes Leme, com curadoria de Tálisson Melo. A exposição reúne um conjunto plural de obras que evidencia a amplitude da pesquisa material e poética da artista, articulando tecnologia, matéria orgânica transformada e processos escultóricos tradicionais.


O público encontrará trabalhos que atravessam diferentes linguagens, como luz, vídeo, metal, resíduos urbanos e formas escultóricas em bronze, produzidos a partir de 2014, período em que Shirley aprofunda sua investigação sobre a percepção em meio às crises contemporâneas: da poluição à guerra, das tecnologias onipresentes aos lampejos de esperança.


A abertura acontece no dia 17 de março, terça-feira, às 19h, com uma conversa aberta ao público entre a artista Shirley Paes Leme e o curador Tálisson Melo. Para participar, basta realizar inscrição prévia e gratuita pelo site.

 

 

Dias normais
Shirley Paes Leme


Parece que, hoje, a reflexão mais contundente que podemos fazer sobre a situação da (des)humanidade recai na capacidade de adaptação e sobrevivência cotidianas, especialmente acerca de como seguimos nossas vidas em pleno colapso civilizacional. Como conseguimos pensar a realidade e imaginar futuros diante da catástrofe?


Se existimos no emaranhado das dimensões ambiental, social, afetiva, econômica e política, a atual crise evidencia como tudo isso está conectado e sob um regime acelerado e violento de ataque, nos levando a incorporar a aflição, torná-la normalidade. Como uma anestesia diante do assombro e do encantamento, nos fazendo crer que nada acontece quando tudo está acontecendo no mundo, todos os dias, agora. Não em um futuro distante.


Esta exposição se chama Dias normais — uma ironia para enfatizar a sutileza e ambiguidade da poética de Shirley Paes Leme que, desde o final dos anos 1970 até sua produção mais atual, vem elaborando um corpo de obra amplo e diverso, explorando materiais e linguagens que se constituem do efêmero ou do residual, daquilo que é descartado ou afastado da sensibilidade.


Entendo seu trabalho como intervenção contra essa anestesia, ora simbolicamente, ora mais sensorial ou conceitualmente, evocando a espessura do sensível. Um convite à atenção dedicada sobre contradições que se neutralizam silenciosamente e quase se apagam, para encontrar formas pulsantes tanto na sombra da guerra quanto no excesso de luz do espetáculo invasivo de imagens que nos sobrecarregam a cognição, a emoção, as ideias…


Dias normais reúne obras criadas a partir de 2014, quando Shirley se dirige à latência da percepção diante do lusco-fusco, dos vaga-lumes, de ruídos dos celulares; da onipresença das tecnologias de comunicação que nos conectam, nos encapsulam e nos dispersam, ao mesmo tempo, em uma constante imediaticidade; da brutalidade da guerra ou da poluição que nos afasta do céu estrelado; e dos lampejos de esperança no luto prolongado.

Tálisson Melo 
Curador


A exposição permanece em cartaz até 6 de junho de 2026, com visitação livre de segunda a sábado, das 10h30 às 20h. Visitas mediadas para grupos podem ser agendadas previamente, sem custo, pelo site do centro cultural. 


Sobre o curador


Tálisson Melo (Juiz de Fora - MG, Brasil, 1991), é curador, pesquisador e professor. Atualmente, atua como curador-pesquisador no Memorial da Resistência de São Paulo e no MASP. Doutor em antropologia e sociologia pela UFRJ, com estágio doutoral na Yale University (EUA). Pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Mestre e bacharel em Artes pela UFJF, com ênfase em História da Arte pela Universidade de Salamanca (Espanha). Entre as exposições que curou nos últimos anos, destacam-se: Fullgás - artes visuais e anos 1980 no Brasil, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, 2024-2025; Pra onda não me tirar, Temporada, Paço das Artes, São Paulo, 2025; O Pernambuco cósmico de Suanê, Museu de Arte Contemporânea da USP, 2024; Atualização do sistema, Museu Nacional da República, Brasília, 2023 (prêmio Associação Brasileira de Crítica de Arte como melhor exposição regional); Retransformações de Gretta Sarfaty, Auroras, São Paulo, 2022.

 

Esta programação é uma realização do Instituto Ling e Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio da Crown Embalagens.


PRONAC 254634
 


ficha técnica da exposição

  • Artista

    Shirley Paes Leme

  • Curador

    Tálisson Melo

  • Expografia

    Eduardo Saorin

  • Identidade Visual

    Adriana Tazima

  • Produção Executiva

    Laura Cogo

  • Programa Educativo

    Gisele Marteganha


Sobre o Artista

Shirley Paes Leme
Foto: Leda Abuhab

Shirley Paes Leme (MG, Brasil, 1955), em 1978 gradua-se na Universidade Federal de Minas Gerais. De 1983 a 1986 recebe Bolsa Fulbright. Em 1986 doutora-se pela JFK University, San Francisco Art Institute e University of California, em Berkeley, EUA. Vive e trabalha em São Paulo, SP.

Individuais selecionadas: Dias Normais (2026), Instituto Ling, Porto Alegre. Nosso Mundo (2023), Museu de Arte Moderna de São Paulo. Os Vestígios dos Dias (2023), Galeria Zielinsky, Barcelona. Suspiro em Vão (2022), Galeria Raquel Arnaud, São Paulo. Eterno Retorno (2020), Carbono Galeria, São Paulo. RareAr (2019), Galeria Raquel Arnaud, São Paulo. Geografias Errantes (vistas de dentro para fora) (2018), Palácio das Artes, Porto. Quando Atitudes (trans)formam (2015), Centro Cultural Minas, Belo Horizonte. Água Viva (2012), Museu Vale, Vitória. Heterotopias Cotidianas (2009), Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza. Ambulantes (2008), Centro Cultural Espanha, Cidade do México. Horas (2009), Galeria de Artes Visuais UFG, Goiânia. Peso/Leveza (2004), Passa Quatro. Desenhos e Vídeo (2003), Galeria Jaspers, Munique. Deux Artistes Brasiliens (1996), Galeria Debret, Paris. Inside Out (1986), Fiberworks Gallery, Berkeley. Fibra (1981), Fundação Cultural, Brasília.

Coletivas selecionadas: FullGás (2025), CCBB, Rio de Janeiro. I Bienal Sur (2017), Buenos Aires. X Bienal do Mercosul (2015). Vidéo et Aprés – Vidéo Brasilienne: un portrait (2010), Centre Georges Pompidou, Paris. Black and White (2006), Haim Chanin Gallery, Nova York. I Bienal Internacional de Arte al Aire Libre (2005), Caracas. I Bienal do Fim do Mundo (2007), Ushuaia. Côte à Côte - Art Contemporain du Brésil (2001), Musée d'Art Contemporain de Bourdeaux. Bienal de La Habana. Século XX: Arte do Brasil (2001), Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Bienal de São Paulo 50 anos (2000). II Bienal do Mercosul (1999), Porto Alegre. Die Anderen  Modernen (1997), Casa das Culturas do Mundo, Berlim. XV Bienal de Lausanne (1993).