exposição

EXPOSIÇÃO Campo e construção – FÁBIO MIGUEZ

23/06/2026 às 19h até 26/09/2026 às 20h

EXPOSIÇÃO Campo e construção – FÁBIO MIGUEZ

O Instituto Ling apresenta Campo e Construção, mostra individual de Fábio Miguez, com curadoria de Pollyana Quintella.


A exposição Campo e Construção articula, pela primeira vez, dois eixos da obra de Fábio Miguez: suas pinturas recentes de arquiteturas vernaculares brasileiras e suas composições inspiradas nos mestres pré-renascentistas italianos. Ao aproximar esses universos, o artista investiga formas de representação do espaço e revela como luz, tempo e uso se inscrevem nas superfícies construídas. A mostra inclui ainda obras realizadas diretamente nas paredes do Instituto Ling, em que pintura e arquitetura se fundem.


A abertura acontece no dia 23 de junho, terça-feira, às 19h, com uma conversa aberta ao público entre o artista Fábio Miguez e a curadora Pollyana Quintella. Para participar, basta realizar inscrição prévia e gratuita pelo site.

 

 

Campo e Construção


Ao longo de mais de quatro décadas, Fábio Miguez (1962, São Paulo) tem se dedicado à pintura como construção espacial e matéria sensível. Se a geração da Casa 7, da qual fez parte nos anos 1980, experimentava um neoexpressionismo um tanto matérico e gestual, Miguez foi depurando sua linguagem em direção à geometria e à estrutura, tornando-se um dos artistas mais dedicados à dimensão arquitetônica da pintura. Em sua obra, porém, a arquitetura é um dispositivo de espacialização, organizando o campo pictórico para condensar experiências de tempo e matéria.


Campo e construção reúne, pela primeira vez, dois eixos convergentes de sua prática. De um lado, pinturas recentes em que o artista se volta para as arquiteturas vernaculares observadas no território brasileiro, entre ruínas e fachadas de São Luís e Alcântara, ladeiras de Salvador e volumes industriais de Fordlândia. Nessas obras, o artista isola volumes, recorta platibandas contra o céu e enquadra vãos e superfícies desgastadas como se essas construções já contivessem uma qualidade pictórica. O que o abandono e o tempo fizeram com elas, reduzindo-as a relações elementares entre superfície e volume, é o que o pintor extrai como experiência.


De outro lado estão composições derivadas de sua longa relação com os mestres pré-renascentistas italianos, como Giotto, Fra Angelico, Simone Martini e Piero della Francesca. A arquitetura pictórica dessas produções é fruto de uma intuição espacial de dimensão afetiva e metafísica. Em suas releituras, Miguez remove figuras e episódios narrativos para fazer restar a ossatura construtiva dessas imagens.


Em ambos os casos, trata-se de compreender como a arquitetura opera como condensação espacial e temporal, transformando a superfície construída em uma superfície pictórica. Esse argumento ganha outra dimensão nas obras realizadas diretamente sobre as paredes do Instituto, em escala ampliada, nas quais a pintura e a construção passam a ocupar literalmente o mesmo plano. São caixas abertas, plantas monocromáticas que contêm, simultaneamente, ruína e sentido projetual; é como se a superfície construída se apresentasse, enfim, como inscrição material de uma experiência de duração.

Pollyana Quintella
Curadora

 

A exposição permanece em cartaz até 26 de setembro de 2026, com visitação livre de segunda a sábado, das 10h30 às 20h. Visitas mediadas para grupos podem ser agendadas previamente, sem custo, pelo site do centro cultural.

 


Sobre a curadora


Pollyana Quintella (Rio de Janeiro,1992) é curadora da Pinacoteca de São Paulo e pesquisadora-coordenadora da linha de pesquisa Arte e Política: o Brasil em disputa, da FGV Arte São Paulo. Na Pinacoteca, organizou exposições como Lenora de Barros: Minha Língua (2022–23), Lygia Clark: Projeto para um planeta (2024) e Renata Lucas: Domingo no Parque (2024), vencedora do Prêmio APCA 2025. É doutoranda e mestra em História da Arte pela UERJ, com pesquisa dedicada à crise da crítica e ao pensamento de Mário Pedrosa. Foi contemplada com uma bolsa da Getty Foundation para integrar o Art and Power School, realizado na Bibliotheca Hertziana – Max Planck Institute for Art History, em Roma, em 2023. Foi curadora do 9º Bolsa Pampulha em 2024. Atuou como curadora assistente no Museu de Arte do Rio (2018–21) e desenvolveu projetos em instituições como MALBA, Sesc Pompeia, MuPA e Paço Imperial. Publica regularmente ensaios sobre arte contemporânea, cultura visual e política.

 

Esta programação é uma realização do Instituto Ling e Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio da Crown Embalagens.


PRONAC 254634
 


ficha técnica da exposição

  • Artista

    Fábio Miguez

  • Curador

    Pollyana Quintella

  • Identidade Visual

    Adriana Tazima

  • Produção Executiva

    Laura Cogo

  • Programa Educativo

    Gisele Marteganha


Sobre o Artista

Fábio Miguez
Foto: Charles Roussel

Fábio Miguez (São Paulo, 1962) é um dos principais nomes da pintura contemporânea brasileira e integrante fundador da Casa 7, grupo que renovou a pintura nos anos 1980. Sua produção inicial, influenciada pelo neoexpressionismo alemão, explorava paisagens densas, com acúmulo de matéria e tons escuros. A partir dos anos 1990, sua pesquisa voltou-se à luz e à abstração, incorporando transparências, cores claras e estruturas geométricas. Nos anos 2000, expandiu a pintura para o campo tridimensional, criando instalações com a sobreposição intervalada de placas de vidro pintadas, assim como suas valises, que comportam objetos que permitem a interação do espectador e a recombinação de diversos elementos. Desenvolve, desde 2010, a série Atalhos, em que reelabora fragmentos de obras de mestres da pintura, e a série Volpi, inspirada em detalhes da obra de Alfredo Volpi. Fabio Miguez vive e trabalha em São Paulo. Suas obras integram coleções de instituições como o Centro Cultural São Paulo (CCSP); Instituto Figueiredo Ferraz (IFF); Museu de Arte de São Paulo (MASP); Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP); e Pinacoteca do Estado de São Paulo.