Expandindo as fronteiras do conhecimento: relatos da turma de 2025 de bolsistas do Instituto Ling

O que acontece quando o talento brasileiro encontra as melhores universidades do mundo? Bolsistas de MBA e LLM do Instituto Ling compartilham como a experiência em escolas de excelência está moldando suas visões sobre liderança, mercados emergentes e inovação. Um relato honesto sobre desafios, redes internacionais e o desejo de transformar o Brasil.

Expandindo as fronteiras do conhecimento: relatos da turma de 2025 de bolsistas do Instituto Ling

Ana Clara Mello Costa Akra | MBA | UPENN

Para alguém que cresceu e construiu toda a carreira no Brasil, viver o MBA tem sido uma oportunidade de expandir horizontes. A experiência começa com desafios: pensar e se posicionar em inglês o tempo todo e, muitas vezes, perceber a falta de contexto em referências culturais americanas. Esse processo exige adaptação e humildade, mas acelera o crescimento. Hoje, minhas amizades atravessam continentes e minha rede se tornou verdadeiramente internacional. Ao mesmo tempo, algo que me surpreendeu foi o quanto morar fora fortaleceu minha identidade: nunca me senti tão brasileira.

Os highlights têm sido igualmente transformadores. Recentemente, atuei como professora assistente no Global Modular Course que levou alunos de Wharton ao Brasil para conhecer suas principais instituições e líderes - e foi impressionante perceber o interesse e o engajamento deles. Além disso, o acesso que Wharton proporciona muda o ritmo das oportunidades: fiz uma imersão de seis semanas em quatro países na África, visitei empresas na Índia e conversei com executivos de alto nível em diferentes mercados que visitaram a escola neste período, inclusive ex-alunos brasileiros de destaque. Por fim, para o restante do curso, quero aprofundar minha visão sobre mercados emergentes e entender como posso voltar ao Brasil para contribuir de forma estruturante para seu desenvolvimento.

 

Cynthia Maria Santos Bezerra | LLM | Harvard

Participar do LL.M. em Harvard vem sendo um sonho em realização. Eu fiquei positivamente surpreendida pelo ambiente de sala de aula e a cidade. Muitos podem atrelar Cambridge à uma cidade pequena, mas a verdade é que ela sempre revela que sua maior prioridade é oferecer os mais diversos espaços de convivência para a vida universitária. Nos momentos que exigem estudo, Cambridge sempre ofereceu os mais variados espaços (parques, cafés, bibliotecas públicas). Nos momentos em que precisávamos espairecer, nunca faltou eventos de convivência e integração para tirarmos nossa mente dos estudos. Estar ao lado de Boston é um adicional que nos garante ter um pouco do estilo de vida de uma cidade grande. No ambiente de sala de aula, minha maior surpresa foi a forma como os professores encararam (e abraçaram) a diversidade de opiniões em assuntos que o próprio professor discordava abertamente. Isso, para mim, foi a maior representação da importância de pluralidade de ideias para construir um pensamento – algo que eu certamente levarei pelo resto da minha vida profissional. As discussões em sala são intensas e sofisticadas – algo que sempre demandou bastante preparação. Esse processo, no entanto, nunca foi monótono – já que eu sempre tive bastante oportunidade de debater com pessoas de várias outras nacionalidades e backgrounds sobre o que estávamos estudando.

O período do LL.M. vem revelando a necessidade de um exercício constante de adaptação e crescimento pessoal – a famosa “dor de crescimento”. Algumas das maiores dificuldades que encontrei aqui estão relacionadas a necessidade de sempre ser resiliente. Algo que sempre me deu forças para persistir ao longo de todos os desafios que encontrei era a certeza de que eu tinha uma rede de apoio, como a do Instituto Ling, comigo. Saber que você faz parte de uma rede de profissionais exemplares e comprometidos com o futuro do Brasil me deu um norte e uma garantia: um norte de que podemos (e devemos) pensar em grandes planos independente do tamanho do desafio; e uma garantia de que, nesse caminho a ser percorrido, não estamos sozinhos, já que, por exemplo, muitas vezes a rede me amparou (via mentoria e outras ferramentas). Quando estava prestes a vir para o meu LL.M., um amigo me disse a seguinte frase – que fica comigo até hoje: “Vá com a cabeça aberta! Você será uma pessoa completamente diferente quando você receber o resultado, antes de ir para o LL.M., durante o LL.M. e após o LL.M. – e isso fará parte do processo!”. Para quem está considerando se candidatar ao LL.M., posso dizer que é uma experiência que exige coragem, mas que transforma profundamente a forma como você enxerga sua carreira e seu impacto no mundo.

 

Gianluca Tillmann Moser | LLM | Berkeley

Realizar um LL.M nos EUA sempre foi um objetivo profissional e um sonho pessoal. Por mais que você escute relatos e converse com pessoas que o fizeram, a experiência de entrar na sala de aula pela primeira vez, estudar em outro idioma e ter que desenvolver quase uma nova forma de pensar é algo que não pode ser comparado e que vale a pena ser vivido. Ao mesmo tempo em que é muito animador, também é difícil e requer muitas horas de esforço e dedicação.

Os últimos meses em Berkeley têm sido cheios de emoções, desde a felicidade de compartilhar um momento único com pessoas de diferentes nacionalidades até sensações de sobrecarga pela quantidade de disciplinas e estudos. E ainda assim, os meses passam rápido demais e logo você se vê pensando na formatura. Apesar de serem apenas dois semestres, a experiência do LL.M é transformadora e repleta de evoluções pessoais e profissionais, além de memórias que carregamos pela vida.

 

Igor Tavares Girsas | MBA | Columbia

Na primeira semana, durante o orientation, foi dito que fazer CBS é como tentar beber água de uma mangueira de incêndio e é bem isso. O MBA aqui é menos sobre “dar conta de tudo” e mais sobre fazer escolhas o tempo todo. Sempre tem alguma coisa incrível acontecendo ao mesmo tempo: aula que você não quer perder, palestra com gente muito fora da curva, clube e atividades extracurriculares, recrutamento, conhecer gente nova, e também a opção subestimada de dormir. A graça e a dificuldade estão justamente em decidir o que vai entrar na sua agenda e o que vai ficar para depois, com intenção e sem culpa.

Nesse primeiro semestre, eu escolhi priorizar bastante o recrutamento e fico muito feliz porque deu certo: vou trabalhar em Investment Banking no Barclays, na área de Healthcare. É uma transição que faz muito sentido com a minha trajetória, porque antes do MBA eu já vinha construindo carreira no ecossistema de saúde, ajudando a escalar uma startup e trabalhando com temas bem próximos de acesso, eficiência e tecnologia no setor. Agora, olhando para a frente, quero equilibrar melhor as prioridades e aproveitar ainda mais a experiência como um todo: aprofundar as matérias, me envolver mais nos clubes, fortalecer a rede e aprender com as pessoas e oportunidades que aparecem aqui todos os dias. Se alguém estiver aplicando e quiser bater um papo, é só me chamar. Vou adorar ajudar.

 

Maike Wile dos Santos | MBA | Northwestern

Escolhi fazer um MBA porque, apesar de já ter acumulado experiência relevante operando empresas em rápido crescimento, sentia falta de uma base conceitual mais robusta. Como Austin Scholar em Kellogg, além da bolsa integral, tenho acesso a uma rede extraordinária e a mentorias diretas com líderes como Harry Kraemer (ex-CEO da Baxter) e Karin O’Connor (angel investor da região). São conversas francas sobre liderança, valores e decisões sob incerteza, dimensões que nenhum livro ou aula ensinam por completo.

Como tudo na vida, nem sempre conseguimos antever tudo o que vai nos marcar. Destaco duas gratas surpresas aqui em Kellogg. A primeira foi ser selecionado como Golub Capital Board Fellow. Pelo próximo ano e meio, servirei como board member da ONG “Erie Family Health Centers”, além de cursar disciplinas específicas sobre governança em conselhos de administração. A segunda é o curso Entrepreneurship and the Creation of Markets in Emerging Economies. O professor Efosa Ojoma foi pupilo do Clayton Christensen, e co-autor do último livro que o Christensen escreveu. O curso e o livro apontam que prosperidade duradoura vem da criação de mercados que tornam produtos e serviços acessíveis a populações antes excluídas – algo que dialoga diretamente com minha trajetória e minhas ambições.

Como nota de rodapé, vale destacar algumas coisas que para mim são quase irreais. Semana passada estava caminhando pela universidade e encontrei Joel Mokyr, recém laureado Nobel em Economia. Ninguém reparou, porque aqui ele é mais um professor. Fiz uma nota mental de como sou privilegiado de estar num lugar como esse, em que a excelência é cotidiana. Mais do que inspiração, isso me relembra que estar aqui só faz sentido se eu estiver à altura da oportunidade.

 

Maria Clara Felinto Moreira | MBA | Columbia

Em agosto passado, dei início ao meu MBA na Columbia University. Integrar a comunidade acadêmica de uma instituição bicentenária, anterior à própria fundação dos Estados Unidos, é um projeto de vida que hoje concretizo com o apoio do Instituto Ling. Em sala de aula, aprendo com professores que são referências em seus campos e que, para além dos fundamentos teóricos, me ensinam a formular as perguntas certas. Além disso, a universidade está em diálogo constante com lideranças que moldam a economia global, e frequentemente recebemos executivos que compartilham suas experiências e visão de mercado. Neste mês, por exemplo, Meredith Kopit Levien, CEO do New York Times, esteve conosco para discutir o que espera para o futuro do jornalismo diante do avanço dos LLMs.

Fora da sala de aula, tenho me dedicado à Media Management Association (MMA) da CBS. Como parte da liderança, coordenei nossa 20ª conferência anual de Mídia em parceria com a NYU Stern, evento que reuniu nomes como Patrick Steel (ex-CEO do Politico) e Pouya Shahbazian (fundador da Staircase Studios AI). No meu tempo livro, tenho explorado Nova York e todo o repertório que a cidade oferece. Conhecer a cultura do Harlem (bairro no qual a Business School está localizada), ir à ópera no Lincoln Center e às exposições do MoMA foram pontos altos até aqui.

 

Michelle Baruhm Diegues | LLM | Harvard

Quando fui aprovada para cursar o LL.M. em Harvard, eu tinha muitas expectativas sobre o curso, as aulas e as conexões que faria aqui. Hoje, pouco mais de seis meses depois do início do programa, posso dizer que todas foram superadas. A oportunidade de participar de um ambiente acadêmico global, com pessoas que contribuíram e que pretendem contribuir ainda mais para o desenvolvimento dos seus países, é muito inspiradora e nos ensina a construir uma rede de contatos internacionais desde o primeiro dia. As aulas são pouco expositivas, e muito mais voltadas para instigar debates entre os alunos. Somos constantemente convidados a articular nossa perspectiva de maneira crítica e a engajar com os demais alunos em discussões que apresentam uma grande pluralidade de pontos de vista. Mas acredito que o que mais me surpreendeu foi a proximidade entre os alunos e o corpo docente, assim como o entusiasmo dos professores em dialogar conosco – seja para esclarecer dúvidas em sala de aula ou para orientar pesquisas e escolhas de carreira.

O restante do curso, agora, tem um tom de fechamento de ciclo. O segundo semestre do LL.M. envolve diversas entregas e a necessidade de conciliar os compromissos acadêmicos que ainda estão em curso com a transição para a vida pós-LL.M. que começa a tomar forma à medida que a final do programa se aproxima. Durante todo esse processo, o apoio do Instituto Ling foi essencial. A rede de mentoria me apresentou pessoas fantásticas, com trajetórias de impacto social e dispostas a compartilhar suas experiências e histórias de vida, oferecendo caminhos concretos para sonhos que antes pareciam distantes. Pretendo continuar trabalhando e estudando nos Estados Unidos no próximo ano e, mais tarde, voltar ao Brasil para aplicar as experiências que tive aqui no aprimoramento das nossas estruturas jurídicas e regulatórias.

 

Nicholas Mantesso Mardegan | MBA | Stanford

As primeiras semanas do MBA são intensas: muitas atividades, eventos e iniciativas acontecendo ao mesmo tempo, além da adaptação à vida fora do Brasil. Ter brasileiros por perto que já estavam aqui para ajudar fez toda a diferença, além de poder contar com a rede de apoio dos ex-bolsistas que já fizeram MBA ou ainda vivem por aqui.

Desde que cheguei, Stanford tem me surpreendido pela capacidade de atrair uma turma realmente diversa (de experiências, nacionalidades e formas de pensar) e por como a escola incentiva a troca constante entre pessoas. Um exemplo que eu gosto é a dinâmica de ter aulas trimestrais com turmas não fixas, o que te dá muitas oportunidades de conhecer gente nova e aprender com perspectivas diferentes ao longo do ano. Estou muito animado para o restante do curso, especialmente agora que há mais flexibilidade para escolher matérias eletivas: vou poder aprofundar temas que me interessam mais, como investimentos e também liderança/estratégia, aproveitando o que Stanford tem de melhor — conteúdo forte, discussões ricas e uma comunidade que eleva o nível o tempo todo.

 

Rodrigo Silva Affonso | MBA | Stanford

Minha experiência em Stanford até agora tem sido incrível e transformacional. O que mais me surpreendeu foi a força da comunidade; você se vê cercado de pessoas brilhantes e investidas no seu sucesso. Um dos grandes destaques foi a viagem acadêmica para a Índia com 20 colegas de turma, uma imersão cultural e de negócios que criou laços que vou levar para a vida toda.

Além disso, a flexibilidade acadêmica é um diferencial enorme. Tenho conseguido transitar entre matérias que discutem o que há de mais relevante em IA na escola de negócios e aulas práticas nas escolas de design e educação, o que tem me exposto a formas muito diferentes de analisar um problema. Estou muito animado para o próximo ano e, especialmente, para usar o summer para explorar a fundo oportunidades de empreendedorismo. Obrigado ao Instituto Ling por acreditar em mim, tem sido uma experiência única!

 

Thomaz Murta e Penna | MBA | UPENN

O MBA está sendo uma experiência incrível e intensa, combinando três principais aspectos: acadêmico, profissional e social.

Vindo de um background não convencional (sou advogado de formação) para uma escola fortemente focada em finanças e mercado de capitais como Wharton, um dos maiores desafios - e uma das melhores oportunidades - tem sido me adaptar às aulas quantitativas e conseguir acompanhar e contribuir para as discussões. A curva de aprendizado é gigante, e o ritmo é extremamente acelerado. Do lado profissional, o MBA abre portas para basicamente qualquer indústria (investment banking, consultoria, tecnologia, etc.), e a universidade facilita muito a conexão dos alunos com as principais empresas, tanto nos EUA como em outros países. Socialmente, o MBA também “exige” bastante - são inúmeros eventos, clubes e conexões, com centenas de novas pessoas e uma comunidade extremamente colaborativa.

O mais importante é saber dosar cada um desses três pilares na medida certa, priorizando o que faz mais sentido para cada momento e mantendo meus objetivos de longo prazo em mente. Durante o MBA, o tempo passa de um jeito diferente, e até meio paradoxal. Ao mesmo tempo que o primeiro semestre passou em um piscar de olhos, foram tantas experiências e oportunidades que parece que estou aqui já há mais de um ano. Estou bastante animado para os próximos três semestres, e tenho certeza de que eles vão passar ainda mais rápido.

 

Wallace Ferreira Teófilo | MBA | MIT

Em agosto de 2025 embarquei para o que tem sido a experiência mais transformadora da minha vida: fazer meu MBA em MIT Sloan School of Management. Meus objetivos eram claros: desenvolver capacidades técnicas, expandir minha rede para um alcance global e construir a base para retornar ao Brasil e ser protagonista na solução de problemas sociais. Posso dizer que as aulas têm me ajudado a atingí-los, mas são os pequenos detalhes do dia a dia que realmente tem me impulsionado a alcançá-los. Na dinâmica das aulas, observei que me posicionar e compartilhar minhas experiências aumenta a riqueza da discussão para todos. Na observação dos meus colegas americanos, eles me mostram como enfrentar as incertezas na carreira através da utilização intencional de suas redes. E nas conversas com colegas internacionais, percebi que muitos dos problemas que enfrentamos no Brasil são supranacionais e que devemos alavancar uma rede global para resolvê-los.

Como parte desse processo, é natural que alguns desafios surjam como oportunidades para crescimento pessoal e profissional: apresentações em público utilizando a segunda língua, recrutar para summer job fora da dinâmica Brasileira em um cenário de incertezas para imigrantes, ou simplesmente o próprio clima que faz, inclusive, um rio inteiro congelar.

Olhando para o futuro, espero não só evoluir como líder ao continuar me inspirando nas diferenças culturais que vivo diariamente, mas também aproveitar o privilégio de se estar no maior centro de referência do mundo da utilização de AI/GenAI para negócios e entender ainda mais as melhores aplicações para resolver os problemas do nosso país.

 

27.02.26

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