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Com a engenharia, elas constroem um futuro melhor para si mesmas e suas famílias: conheça as histórias de três bolsistas do Programa Voar

Evilyn Vitoraci, Maria Eduarda Alves e Tainá Barreto foram selecionadas pelo programa do Instituto Ling para receber apoio enquanto cursam a faculdade de Engenharia Mecatrônica no Insper, em São Paulo. Estudantes de excelência desde o ensino fundamental, hoje elas se destacam em competições de engenharia. Entre suas diferentes trajetórias, um fator em comum: a aposta na educação como ferramenta para não só transformar suas vidas, mas gerar impacto na sociedade.

Com a engenharia, elas constroem um futuro melhor para si mesmas e suas famílias: conheça as histórias de três bolsistas do Programa Voar

“Desde muito nova, sempre me dediquei ao máximo na escola, o que parecia ser o melhor caminho para ajudar minha família e poder escolher meu próprio futuro.”

A visão de Evilyn Araujo Vitoraci, de 19 anos, foi certeira: o estudo foi o pilar da trajetória que a levou de Cariacica, no Espírito Santo, a São Paulo para estudar Engenharia Mecatrônica no Insper. Ela integra a turma de 2024 do Programa Voar, iniciativa do Instituto Ling que garante apoio financeiro para que estudantes cursem o ensino superior.

O programa nasceu em 2014, a partir de uma proposta de Cassius Leal, bolsista de MBA do Ling em 1998 e cofundador e conselheiro do Primeira Chance, entidade fundada no Ceará que investe na formação de alunos em vulnerabilidade social com excelente desempenho acadêmico. Além do Primeira Chance, são parceiros o Instituto Queiroz Jereissati, também do Ceará, e o Instituto Ponte, de Vitória (ES). 

Evilyn, que será a primeira da sua família a se formar na universidade, tem grandes objetivos: “realizar os sonhos daqueles que sempre me apoiaram e, claro, os meus também”. 

“Assim que entrei na escola particular, o choque de realidade foi enorme. Em 2021, meu irmão foi diagnosticado com transtorno do espectro autista, o que agravou as dificuldades dentro de casa”, conta Evilyn. 

“Não escondo que precisei me adaptar: a experiência foi essencial para que eu entendesse que tudo depende de como lidamos com nossos problemas”, arremata.

 

A trajetória da escola pública à universidade

Além de Evilyn, Maria Eduarda Alves e Tainá Nascimento Barreto, ambas de 19 anos, foram selecionadas ainda no ensino médio pelo Instituto Ponte para receber apoio estudantil, aulas em um curso de inglês e bolsas em colégios particulares. O programa ainda fornece apoio psicológico e formações de desenvolvimento pessoal.

Maria Eduarda conta que não pôde se mudar de sua cidade natal, Ibatiba, no interior do Espírito Santo, para estudar em um colégio particular. Mas isso não a impediu de receber o suporte acadêmico que lhe ajudou a chegar ao ensino superior. 

“Entrei no Instituto Ponte em 2021 e nessa época cuidava do meu irmão, ainda bebê, para que meus pais pudessem trabalhar. Por isso, não consegui me mudar, mas isso não foi problema”, lembra. “O Instituto abraçou minha história e me apoiou em todos os momentos, até mesmo quando eu precisava participar das aulas com meu irmão no colo.”

A estudante recebeu a Medalha de Mérito Estudantil da Câmara Municipal de Ibatiba ao se formar no Instituto Federal da cidade como melhor aluna da instituição. Maria Eduarda já participou de cursos de informática, design gráfico e chegou a publicar um artigo sobre programação python em um evento de tecnologia. Foi premiada no TED Talk do Instituto Ponte, o que garantiu uma viagem para São Paulo em que pôde conhecer o Insper antes mesmo de passar no vestibular.

O trio de estudantes não se destacava apenas na escola, mas entre alunos de todo o Brasil. Medalhas nas Olimpíadas Nacionais de Ciências, de Astronomia e de Eficiência Energética são apenas algumas das conquistas que Evilyn obteve já durante o ensino fundamental e médio.

De trajetórias diversas, elas carregam algo em comum: a curiosidade, a dedicação e o interesse pelas ciências exatas. Além de medalhas em olimpíadas científicas, Tainá participou de um bootcamp do Instituto de Tecnologia e Liderança, onde desenvolveu um projeto para o BTG Pactual, e já apresentou pesquisas de iniciação científica em um simpósio de Física.

Com a dedicação de sempre e o apoio educacional do Ponte, Evilyn, Maria Eduarda e Tainá foram aprovadas no vestibular de Engenharia Mecatrônica do Insper, instituição que oferece cursos focados nas áreas de engenharia, assim como administração, economia e direito.

 

Encarando os desafios da graduação e da engenharia de frente

A jornada, antes e durante a faculdade, não tem sido isenta de desafios. Para as alunas, foi preciso se adaptar à mudança para uma nova cidade, bem como à intensidade das aulas e projetos. 

Hoje, as três estudantes moram no residencial para bolsistas do Insper, que dividem com outros 50 alunos. Agora, o plano é se mudar e dividir um apartamento na capital paulista.

Mesmo em meio às demandas exigentes da graduação, as alunas se encantaram pelos aprendizados do curso que escolheram. Tanto Evilyn quanto Tainá aproveitaram – e muito – as aulas de Física do Movimento no primeiro semestre. 

“Pude aprofundar os conhecimentos de física do Ensino Médio e pude descobrir como poderia fazer simplificações, modelagens físicas mais próximas da realidade e como, com cada implementação, conseguia aproximar os cálculos do mundo físico real. Eu achei isso simplesmente fantástico!”, explica Tainá.

Já Maria Eduarda mergulhou fundo no estudo de programação, ampliando os conhecimentos que já tinha em uma disciplina de Design de Aplicativos. “Tive contato com professores e profissionais excelentes da área, pude trabalhar em laboratórios com ótima infraestrutura, além de aplicar meus conhecimentos por meio das organizações estudantis”, conta.

Muito além de noções de matemática, o curso proporciona às alunas uma fundamentação múltipla, abarcando as bases das engenharias eletrônica, mecânica e computacional. “Isso nos permite, futuramente, escolher dentre várias áreas qual quero me especializar e trabalhar”, destaca Tainá. 

 

Aprender e crescer coletivamente

Os aprendizados de Evilyn, Maria Eduarda e Tainá não ficam restritos às salas de aula. O trio participou da competição Eco-Marathon da Shell em 2024, na equipe do projeto Mileage, que representou o Insper no Rio de Janeiro.

O grupo de alunos da instituição planejou e construiu, do zero, um carro para integrar o torneio. Divididas em equipes de eletrônica, mecânica e controle, estruturam placas, circuitos e todo o funcionamento do veículo levado para a competição.

Foi uma oportunidade sólida de aprender na prática e ainda conhecer estudantes de todo o Brasil. Para 2025, todas confirmam que estão ansiosas para participar de novo da competição. 

Por ora, as estudantes aproveitam as férias para visitar suas famílias e estagiar em empresas de tecnologia. Mas cada passo dado é planejado, tendo em vista o futuro com que sonham. 

“Antes, eu nem imaginava sair de Ibatiba. Hoje, eu tenho vivido experiências extraordinárias e, além de morar em São Paulo, eu pude trazer toda a minha família para viajar e conhecer essa cidade tão grande”, exemplifica Maria Eduarda.

E quais são seus planos? Seguir investindo nos estudos. “Quero prosseguir para um intercâmbio e uma possível dupla titulação ou mestrado, com foco em atuar na minha área de formação e interesse, a tecnologia”, responde a futura engenheira. Ela ainda não sabe se vai buscar uma posição numa empresa nacional ou estrangeira, ou ainda criar sua própria startup.

Já Tainá quer seguir ajudando sua família e mudar as vidas de quem está em seu entorno, levando essa meta para a área profissional também: “daqui a 10 anos, me imagino como uma engenheira que une tecnologia e saúde para ajudar as pessoas”. No presente, faz isso levando adiante um projeto de mentoria entre universitários e alunos de Ensino Médio no Instituto Ponte. 

Se os caminhos futuros dessas engenheiras seguem em aberto, uma certeza já existe: a educação mudou e seguirá mudando as vidas das estudantes. Evilyn resume bem: “Minha experiência cursando Engenharia Mecatrônica no Insper tem sido muito mais desafiadora do que eu imaginava, mas, mesmo nos momentos mais intensos, em meio à correria dos projetos e matérias, o pensamento que mais me vem à mente é: ‘Estou no lugar certo’.”

 

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