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Claudia Laitano

Uma das principais referências em jornalismo cultural no Rio Grande do Sul, Claudia Laitano ainda acredita que a figura do jornalista é importante para orientar o público sobre a qualidade de uma obra de arte, seja um livro, uma peça de teatro ou um filme, distinguindo-se do burburinho de vozes elogiosas nas redes sociais cuja procedência é desconhecida. Cronista de Zero Hora desde 2021, teme o fim da crônica enquanto gênero literário, já que a arrastada e aparentemente infindável crise do impresso, plataforma com cada vez menos leitores, leva os cronistas a gravarem vídeos na internet sobre seus textos. 


Nesta entrevista ao Instituto Ling, a jornalista que vive no Texas desde 2004, reflete sobre jornalismo, crônica, feminismo, democracia e cultura. Confira:


Você é cronista da Zero Hora desde 2004. Ao longo desses mais de vinte anos, escrever sobre o mundo ficou mais fácil, porque você adquiriu experiência, ou mais complicado por causa do mundo?


Escrever sempre tem a ver com uma voz pessoal. Claro que a gente sempre acha que está vivendo o pior dos mundos no pior dos momentos e na pior das épocas. Mas os problemas são diferentes. A experiência de escrever cumpre uma trajetória um pouco mais previsível na vida da pessoa que têm o exercício de escrever diariamente. Isso vira um aprendizado. Não que se torne fácil – nunca é fácil encontrar o assunto, a abordagem certa, achar que aquilo terá relevância para quem escreve e para o leitor também. Mas o treinamento ajuda a criar algumas estratégias para conseguir traduzir o que se está pensando. A prática ajuda a sentar e a escrever um texto no tempo em que ele precisa ser feito. 


Mas o mundo ficou mais difícil de ser interpretado?


Não sei se mais difícil, mas a história apanhou a minha geração de contrapé em vários sentidos, de várias formas. Não me lembro de nenhuma época em que as pessoas olhassem para o mundo e dissessem: “Agora o mundo faz sentido”. Nunca é assim. A gente sempre acha que está diante de um desafio. Mas acho que as pessoas que estão vivas neste momento no Brasil talvez estejam vivendo uma crise de esperança no futuro que talvez seja inédita. Alguns anos atrás, eu pensava que o Brasil, muito devagarinho, ia para a frente, enquanto os argentinos olhavam para dez, vinte anos atrás e pensavam que o país era melhor antes. Hoje eu tenho a sensação de que o mundo é a Argentina. Existe uma geração, que é a geração da minha filha, que tem menos de 30 anos, que tem a sensação nítida de que o mundo piorou, que a vida piorou, os relacionamentos pioraram. Isso, para mim, é uma novidade. Aos trinta anos eu não tinha a sensação de que havia perdido o melhor da festa e não havia perspectiva de futuro. Seja por causa das mudanças climáticas, seja porque as redes sociais criaram impasses com os quais não sabemos lidar, várias coisas fazem com que a geração mais nova seja muito pessimista. Essa compaixão que sinto pelos mais jovens não é um bom sinal. O que quero reforçar é que não é que em algum momento a vida tenha sido fácil – não faz parte da natureza humana estar satisfeito -, mas quando essa insatisfação se mistura com uma falta de esperança, uma falta da sensação de que é possível mudar algumas coisas, isso não é um bom sinal.    


Você acha que essa geração que hoje tem menos de trinta anos é menos aguerrida na luta pelos seus direitos?


Não acho que minha geração tenha sido revolucionária. Acho que minha geração encontrou várias coisas entregues de bandeja pela geração dos anos 1960. Foi uma geração que fez um trabalho mais duro. A geração da minha filha é menos “passadora de pano” na questão do tratamento de gênero, do papel da mulher, mas, de alguma forma, isso não chegou numa energia de continuar na batalha por outras coisas, por uma ideia coletiva. Isso se perdeu um pouco. Tem coisas que só acontecem se a gente batalhar coletivamente por elas. Acho que hoje existe um individualismo muito grande, que não é de agora – eu fui jovem nos anos 1980 e posso dizer que foi uma década muito individualista -, mas chegou num ponto que eu acho triste. Algumas ilusões que temos aos 30 anos são saudáveis, a gente precisa acreditar em alguma coisa. Não acreditar no futuro, no país, é muito triste. A gente vive dessas pequenas ficções que a gente inventa individualmente e coletivamente, como geração. Acho que falta essa capacidade de criar causas. 


Você saiu da Zero Hora em 2018, justamente num momento em que o Brasil vivia o avanço da extrema-direita. Como foi ficar de fora de uma grande redação num momento como aquele?


Nunca pensei sobre isso, mas, talvez, realmente tenha um simbolismo. Esses quatro anos, de 2018 a 2022, realmente foram anos em que a gente não parou de se surpreender negativamente. Nem precisava ter havido a pandemia, embora a pandemia tenha explicitado algo que todo mundo já sabia. Eu vivi esse período muito intensamente com as colunas – acho que nunca escrevi tanto sobre política nesse período, mas, de alguma forma, acho que, dentro da redação, como editora, talvez tivesse tido outra experiência. De certa forma sinto um certo alívio de ter vivido esse período só como colunista, com liberdade total para escrever sobre o que eu quisesse, pois como repórter ou editora nós temos restrições. Numa redação não somos diretores da gente mesmo. Como cronista, tive liberdade total para purgar esse assunto. E sempre acho que, quando a gente escreve, nós estamos espelhando as angústias de uma parte dos leitores. Essa voz funciona para que o leitor sinta que não está maluco, que existe alguém que pensa como ele. Como eu coloquei em um texto da minha nova coletânea de crônicas, “Recado dos Dias” (Libretos, 2024), qualquer registro que a gente deixa do primeiro impacto das notícias vai, daqui alguns anos, funcionar como registro de como as pessoas estavam pensando.  


Imagino que dar a tua opinião semanalmente em um jornal molda quem você é. Estou certa?


Totalmente. Acho que ser cronista me moldou muito, não apenas como jornalista, mas na maneira como penso e olho para as coisas. Uma vez por semana, preciso encontrar um assunto sobre o qual gostaria de dizer alguma coisa. De assuntos o mundo está cheio, mas nem todos me interessam. Então fazer esse exercício de estar sempre atenta criou uma disciplina mental que me moldou de diferentes formas. Me obrigou a ter um certo foco que talvez não seja mais tão natural hoje em dia, que é isso de parar para ler sobre um assunto antes de escrever. É muito difícil eu sentar para escrever algo sem antes parar para estudar. São 22 anos fazendo isso, e isso mudou a maneira como eu leio, como vejo filmes, como ouço as pessoas. E me mudou como jornalista. Os textos que eu escrevia em 2004 são outros. A minha preocupação era outra. 
 

Lá no início da tua atuação como cronista tu escrevia muito mais sobre cultura, mas com o tempo tu foi se apropriando e se sentindo confortável para escrever sobre política. Como foi esse processo?


Eu não me acho uma cronista de política, mas acho que com o tempo a gente se autoriza a várias coisas. Esse é o grande barato de envelhecer. A gente aprende a se preocupar menos com a opinião alheia e com o que vão pensar. No início, eu acordava de noite achando que tinha escrito algo errado lá no meio do texto e de manhã todo mundo iria saber. A primeira coisa que a gente aprende é que ninguém dá tanta bola assim para o que a gente escreve. E outra é que está todo mundo tentando entender as coisas. Na medida em que somos honestos sobre isso, colocando-nos como um observador comum das coisas, tudo é uma questão de se colocar na rua, sem tanto medo de errar. Claro que teve a ver com a prática de escrever toda semana, mas também com o amadurecimento. É um bônus da idade se livrar um pouco da síndrome de impostora, de achar que sempre tem alguém que está entendendo melhor o que está acontecendo. A pessoa que achar que está entendendo tudo e vai dar a real sobre a situação do mundo está enganando a si mesma e aos outros. Estamos expostos a várias realidades e a várias maneiras de encarar o mundo. Quando se é mais novo, temos a sensação de que a verdade está lá fora e temos que encontrá-la, então qualquer coisa que não seja a verdade é um erro. Quanto mais a gente lê, conhece pessoas e se abre para realidades completamente diferentes, mais percebe que nossa própria visão de mundo é parcial, incompleta e precária. Acho que me tornei uma crítica menos cruel de mim mesma. 
 

Como é a tua relação com os leitores? Ainda existe a prática de mandarem e-mail fazendo elogios e críticas?


Isso existia mais na época em que as pessoas liam mais o impresso. Hoje isso mudou radicalmente. Tinha uma época em que eu postava minhas colunas nas redes sociais, mas lá pelas tantas fiquei muito enjoada daquele ambiente, pois começou a me parecer um ambiente muito ruim. Não gosto da mentalidade das empresas que criam esses ambientes, criam os algoritmos e fazem com que algumas coisas sejam mais populares porque apelam para determinados recursos. E o jogo é esse, entra quem quiser. Eu não me sinto remotamente apta a fazer esse papel de mulher sanduíche de mim mesma, fazendo vídeo sobre o que escrevo, e sei que isso me torna a pessoa mais anacrônica do planeta. Mas eu não consigo me ver nessa posição. Não tenho mais nem aplicativos de redes sociais no celular. Existia a resposta de rede social que é diferente da resposta do leitor que escreve um e-mail. Na rede social tem mais o elogio do que o comentário em si. O leitor que escreve o e-mail se coloca mais, ele está escrevendo um texto que só eu vou ler. Esse tipo de e-mail era muito frequente e diminuiu, mas ainda existe. E é muito importante que exista. Eu escrevo sempre na condição de não saber onde chegará a garrafa em que botei um bilhetinho. Mas, de vez em quando, vem uma garrafa de volta dizendo: “Li determinado livro porque tu escreveste sobre ele na tua coluna”, ou “Concordo com o que tu escreveu”. Isso traz uma satisfação enorme e me dá um parâmetro do que é aquilo sobre o qual estou escrevendo, e se minha mensagem está chegando nas pessoas. Mas tudo mudou nessa nova economia, no momento em que as pessoas estão super sobrecarregadas de informações e imagens muito mais do que na época em que comecei a escrever. Hoje, ganhar três minutos de atenção é uma coisa estupenda. 
 

A crônica é um gênero literário que deve tudo à imprensa e ao impresso, mas já faz muito tempo que é dito que o impresso está com os dias contados. Como ficará a crônica? Existe crônica que não seja escrita?


A crônica que ficou conhecida como a crônica brasileira clássica – de autores como Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector -, existiu no tempo em que a gente lia notícias pesadas uma vez por dia, de manhã, e aí tinha aquele espaço para a crônica que era um alívio temático e de estilo. Era um texto mais elaborado, mais relaxado, alguns escritores inclusive adotando um tom de conversa com o leitor. A crônica era um respiro no jornal. Hoje a gente vive uma situação inversa. Nas redes sociais, são vinte e quatros horas de respiro, de conexão com coisas muito aleatórias, informações curtas sobre assuntos diversos, e aquilo chega a nos sufocar por conta do excesso. Quando a gente folheava um jornal, a gente passava pela parte de economia, e ainda que isso não nos interessasse, a gente passava os olhos por ali. Hoje nós não temos mais essa experiência, procuramos as notícias que quisermos. E aquela pausa para ler um texto em tom leve ficou anacrônica. Então aquele tipo de crônica não tem mais espaço. O que temos agora são várias pessoas com um espaço de opinião e cabe a cada um encontrar quem são as pessoas cujas opiniões interessam. A gente monta uma edição desses autores na internet. Aquela crônica de antigamente ainda existe nos jornais como uma memória daquele tempo, mas tenho certeza que esse gênero está migrando para uma coisa diferente. Prova disso são os jornais em que os cronistas fazem vídeos de suas crônicas para as redes sociais. Podemos pensar que, assim, as pessoas vão procurar o texto do cronista no impresso ou no site, mas o mais provável é que a pessoa pegue uma frase do que foi dito no vídeo e fique apenas com isso. O foco na leitura se modificou completamente. Em outra época, o escritor que vendia livros tinha um bico de cronista no jornal. Talvez as pessoas não lessem a poesia do Drummond, mas liam a crônica do Drummond. E hoje a gente não vê os escritores mais jovens escrevendo para o jornal. Talvez ele tenha um Substack, uma newsletter. É outra experiência radicalmente diferente. Como gênero, a crônica foi muito afetada por essa mudança de plataforma. 


Você sempre foi uma grande referência em jornalismo cultural no Rio Grande do Sul. Mas o jornalismo cultural sempre foi a área menos valorizada em uma redação. É possível que ainda exista esse setor daqui 10 anos?


O jornalismo cultural parte da ideia de que mesmo aquilo que não te interessa naquele momento faz parte de um conjunto de assuntos que vale a pena mostrar para o leitor. Poucas pessoas gostam de música erudita, mas vale a pena escrever uma reportagem sobre música erudita porque aquela pessoa que nunca prestigiou um concerto de orquestra tem o direito de saber que isso existe, de ser despertada para aquilo. Eu fui despertada para várias coisas lendo jornal quando adolescente. Eu precisei que alguém me dissesse “Joni Mitchel é sensacional, tu deveria prestar atenção nessa cantora”. Acho esse espaço tão importante quanto as reportagens investigativas. Nós precisamos que o jornalista investigue corrupção, o que está acontecendo no poder, mas também faz parte da missão jornalística oferecer uma visão sobre cultura para as pessoas. Acho muito triste que isso esteja se perdendo. As pessoas hoje vão atrás do que interessa a elas, do que elas já conhecem, e são muito pouco expostas a outras coisas. Mas tem outro aspecto do jornalismo cultural que eu considero uma missão do jornalismo em si que é o diálogo com a cultura da cidade. Quando os veículos fazem cobertura cultural eles estão apoiando o grupo de teatro, o conjunto musical... Quando o jornalismo cultural perde espaço a perda é dupla: perde-se informação e perde-se um pouco do circuito cultural em uma cidade. 


O que vemos hoje de jornalismo cultural nas redes sociais são perfis no Instagram dando dicas do que fazer ou os próprios artistas se divulgando. É muito raro ler uma reportagem cultural. Se as redes sociais estão dando conta de divulgar as atrações culturais, faz falta o jornalismo cultural?


O que se perde é a mediação. Se eu vejo um influencer falando de um livro no Instagram, não sei se ele gostou do livro, não sei o que ele leu antes, ou se tem alguém pagando para que ele fale do livro. Não sei o quão honesto intelectualmente ele está sendo. No caso de um artista se auto divulgando, como vou situar o trabalho dele se esse trabalho está sendo apresentado pelo próprio artista? O que o jornalismo cultural faz é a mediação, que é o que está em crise. As pessoas acham que já não precisa de mediação para nada, inclusive politicamente. As pessoas colocam em questão a democracia representativa, o que é uma tragédia. Eu questiono isso, inclusive questiono de que é tudo igual, de que a opinião de quem estudou Homero e a opinião de quem viu o filme “Odisseia” na semana passada partem do mesmo ponto. Eu procuro uma informação mais qualificada. É isso o que espero quando vou me informar sobre alguma coisa. Mas nas redes sociais fica tudo meio que do mesmo tamanho, e, às vezes, uma pessoa com altíssimo poder de comunicação te dá uma informação que não é tão qualificada quanto um cara que é super bem informado, mas não sabe se comunicar. O jornal ainda dava a chance de alguém super competente em um assunto escrever um texto e conectar-se com o leitor. Mas agora é um faroeste. As pessoas acham que a forma como as coisas são comunicadas são tão ou mais importantes que o conteúdo. Enquanto eu ainda me interesso em saber qual é a qualidade do conteúdo. 


Você viveu o auge do jornalismo no Rio Grande do Sul e hoje as coisas são muito diferentes. Você estimularia um jovem a fazer jornalismo?


Eu acho que qualquer profissão pode ser engrandecida pela quantidade de esforço que a gente coloca. Qualquer profissão que não vai te dar muito dinheiro ou destaque ainda assim é capaz de fazer alguém feliz caso a pessoa estiver investida nisso. Claro que quem for fazer jornalismo agora precisa estar muito consciente sobre empregabilidade e o impacto da inteligência artificial, mas todo mundo está se perguntando isso em qualquer profissão, não apenas no jornalismo. Ainda sou muito romântica em relação a trabalho, acho que a gente tem que escolher o que nos mobiliza e depois vemos como pagar o aluguel. Quando tu olha para trás, é muito melhor ver que errou porque estava apaixonado do que ter errado porque foi racional demais. Acho melhor errar sabendo que, naquela época, naquele momento, aquela pessoa parecia a melhor coisa, e você se apaixonou. Com profissão é a mesma coisa. Buscar a paixão numa época em que as pessoas estão muito apáticas, com muita dificuldade de se apaixonar por alguma coisa, é uma coisa linda. É bonito se apaixonar pelo que se vai fazer e não ter só um raciocínio pragmático em relação ao futuro. O cálculo puramente pragmático pode te trazer várias coisas, mas talvez não te traga uma realização pessoal. Ter a sensação de que tu está no lugar certo, que o teu talento está sendo mobilizado, que tu está sendo desafiado, é uma sensação muito boa. E tenho certeza que um jornalista vai ter isso em algum momento da vida. É uma profissão linda. Não desestimularia ninguém. 


Você sempre foi muito posicionada em favor dos direitos das mulheres e da liberdade feminina. Como é criar uma mulher cuja geração é ainda mais consciente em relação a isso?


Tem várias coisas que a geração da minha filha desnaturalizou e eu aprendo com isso. A minha geração naturalizava algumas coisas e achava que era normal, tipo piadas machistas e até desigualdades dentro dos relacionamentos românticos. Por outro lado, tem algumas coisas que eu acho que ficaram piores, como a questão da aparência, da cobrança por um padrão de beleza. Por que tantas meninas fazendo plástica aos vinte anos? Para qual espelho que elas estão olhando que as faz se sentir tão imperfeitas? Isso tem muito a ver com uma época em que a imagem está acima de tudo. A progressão não é nada retilínea. A gente ainda convive com uma situação de mulheres que são mortas e agredidas por parceiros. Trata-se de uma realidade terrível do Brasil com a qual ainda convivemos. São várias coisas emboladas. Não é linear como a história da minha avó e da minha mãe. Minha avó materna teve doze filhos e não trabalhava, minha mãe teve três filhos e também não trabalhou, eu tive uma filha e fui criada para trabalhar e estudar. Em momento algum achei que a vida da minha avó e da minha mãe eram mais fáceis do que a minha. Hoje eu olho para a geração da minha filha e vejo que elas conquistaram várias coisas, são mais livres em vários sentidos, mas, em outros, voltaram para trás, criaram novas neuroses que eu não conheci. Criar uma mulher hoje é viver em um ambiente em que várias realidades convivem ao mesmo tempo. E muitas vezes uma mulher de oitenta anos é muito mais libertária que uma menina de vinte. Imaginar que existiria hoje um movimento chamado Trad Wives, em que as mulheres fariam vídeos cozinhando e com avental de renda... nem nas minhas fantasias mais selvagens eu conseguiria ter imaginado isso. Nem de longe a história das mulheres não está no seu último capítulo. Ainda tem muita coisa para acontecer.