Johann Sebastian Bach: do esquecimento ao reconhecimento internacional no século 19 Foto: Getty Images

Johann Sebastian Bach: do esquecimento ao reconhecimento internacional no século 19

 

VIDA E OBRA

 

“Para o historiador da música Roland de Candé, a obra de Bach resume toda a história da música tal como ela podia ser considerada em seu tempo: uma síntese impressionante dos recursos da imitação polifônica, do estilo concertante e do canto dramático, “desembaraçados de suas escórias e levados ao mais alto nível de perfeição”. Sem ter nada de profético, Bach leva às últimas consequências o caráter musical que predominou no Barroco, ao mesmo tempo que marca o final desse estilo.”

(Trecho do artigo de Camila Fresca, para Revista Concerto).

 

      Johann Sebastian Bach nasceu em março de 1685, na cidade de Eisenach, na Alemanha. Cresceu em uma família que tinha o ofício da música como tradição, o sobrenome Bach, antes de Johann S. já carregava uma bagagem musical representada por seus familiares músicos que eram organistas, músicos municipais, violinistas, compositores e mestres de capela. Foi iniciado na música pelo pai, que faleceu quando Bach tinha apenas 9 anos, desde então sua educação e sustento ficou por conta de seu irmão mais velho, Johann Christoph, que trabalhava como organista.

    Aos 15 anos, ingressou na escola de São Miguel de Lüneburg, onde recebeu uma educação musical consistente e, em troca do estudo, atuava como cantor na igreja de São Miguel. Poucos anos depois, em 1703, devido ao seu destaque como organista, foi contratado para tocar em Arnstadt e passou a entrar em contato com as técnicas e estéticas da música italiana e francesa da época, viajando frequentemente para ouvir a música tocada por outros organistas que admirava, como Buxtehude, Reinken e Georg Böhm. Além de trabalhar em Arnstadt, Bach também foi organista na cidade de Mühlhalsen, onde atingiu considerável fama e se casou com sua prima, a soprano Maria Barbara Bach. Juntos tiveram 7 filhos, resultado de um casamento de 13 anos, interrompido com o falecimento da esposa. No ano seguinte à morte de Barbara, J.S. Bach se casou com a cantora Ana Magdalena Wilcken e tiveram 13 filhos.

Seus períodos de maior prosperidade econômica na música foram trabalhando para cortes: primeiro nas funções de organista, violinista e compositor da corte de Weimar, entre 1708 e 1717, depois para a corte do Príncipe Leopold d’Anhalt, em Köthen. Nos 5 anos em que integrou a orquestra da corte de Köthen, Bach viveu confortavelmente e compôs grande parte da sua música de câmara, concertos, suites, partitas e os Concertos de Brandenburgo. Mas o músico sentia o desejo de voltar a compor músicas sacras, como seus antepassados, e decide deixar o cargo na corte para assumir o posto de Kantor na Escola de Santo Tomás, em Leipzig, que era vinculada à igreja da cidade. No período em que trabalhou lá, se dedicou à composição de motetos, paixões, como  A paixão segundo São Mateus, cantatas e a Missa em Si Menor, entre muitos outros. Devido às mudanças de pensamento e de estilo na época, com a chegada das ideias do Iluminismo e do Classicismo, a função de Kantor entra em declínio, mas não só a função, a música de Bach passa a ser vista como ultrapassada, marcando o seu afastamento da composição. Em seus últimos trabalhos, em decorrência da perda de visão, o músico contava com a ajuda de sua esposa para escrever as partituras. Os cadernos de Anna Magdalena foram importantes para que a música de Bach permanecesse viva após sua morte, em 1750, ano que marca a transição do Barroco para o Classicismo na música.

Quando faleceu, aos 65 anos, Johann Sebastian era aclamado na Alemanha e nos países do entorno, mas não por seu trabalho como compositor e sim pelo seu virtuosismo como pianista. Com o passar dos anos, a vasta obra de Bach foi caindo no esquecimento. Seus filhos, que seguiram a tradição musical familiar, tocaram algumas de suas canções por um tempo, mas foram seguindo outros rumos na música, alinhados ao estilo da época. O reconhecimento internacional da genialidade de Bach como compositor e o acesso a sua obra só aconteceram depois do século 19, pois, até então, apenas músicos alemães tinham conhecimento da dimensão de seu trabalho como compositor. Um agradecimento especial deve ser feito ao pianista alemão Felix Mendelssohn, por executar em Berlim a obra Paixão segundo São Mateus, em 1829, marcando assim a retomada da obra de Bach. Desde então, a excelência de suas composições passou a receber o devido reconhecimento e, por isso, hoje temos o privilégio de ter sua música entrando em nossos ouvidos e corações! Viva Bach!

 

CURIOSIDADES

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Há um especial do programa Super 8, da rádio FM Cultura, dedicado à música de Bach no cinema.  As composições de Sebastian já embalaram trilhas sonoras de grandes clássicos, como Crepúsculo dos Deuses (1950),  Gritos e Sussurros (1972), O Silêncio dos Inocentes (1991) e muitos outros.  Escute aqui!

Você sabia que o Google criou um doodle interativo dedicado a J.S. Bach? Nele você pode brincar de criar composições e harmonizá-las automaticamente com as obras de Bach. Quer se divertir? Então clique aqui!

 

DICAS

Já conhece o filme Filhos de Bach (2015), do diretor Ansgar Ahlers? É uma coprodução Alemanha-Brasil que conta a história fictícia de um professor de música alemão que viaja para o Brasil em busca de uma partitura original de J. S. Bach. O filme apresenta atores brasileiros e alemães, e mistura a brasilidade do samba à música erudita de Bach. Disponível para assistir no Telecine Play. A trilha sonora é incrível e você pode ouvir no YouTube ou no Spotify!

Desde 2014, a Rádio da USP tem um programa matinal dedicado à vida do compositor. Conheça o Manhã com Bach, cada capítulo trata de diferentes aspectos sobre a vida e a obra desse grande compositor! Clique aqui para saber mais.

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REFERÊNCIAS

Revista CONCERTO. Artigo: A vida de Johann Sebastian Bach, escrito por Camila Fresca. Disponível aqui.

Jornal EL PAÍS. Artigo: Johann Sebastian Bach, o compositor que cativou o mundo, escrito por Alberto Lopez. Disponível aqui.