Keith Jarrett: O pianista que transformou a história do jazz Foto: Divulgação

Keith Jarrett: O pianista que transformou a história do jazz

Multi-instrumentista, compositor e um dos mais prolíficos, inovadores e iconoclastas músicos do final do século 20, Keith Jarrett é muito mais do que apenas um dos melhores pianistas do mundo. Suas lindas melodias, sua qualidade contínua em muitos estilos e em produção o tornam único. Como pianista, introduziu uma estética completamente inovadora no que diz respeito à improvisação solo em concerto, mudando, assim, a história do jazz.

 

 

VIDA E OBRA

Keith Jarrett nasceu no dia 8 de maio de 1945 em Allentown, Pensilvânia. Na infância, dedicou-se ao aprendizado do piano clássico e, aos 15 anos, estudou composição formal. Antes de se tornar músico de jazz, estudou na Berklee College of Music, em Boston. Em 1964, muda-se para Nova York, dando início a sua trajetória como jazzista.

Com mais de cem álbuns de jazz e música clássica gravados, Jarrett é um dos nomes mais importantes do gênero. Sua primeira turnê foi com o grupo Art Blakey & the Jazz Messengers, considerado uma incubadora de talentos musicais, em que permaneceu até 1966. No ano seguinte, gravou seu primeiro álbum Life Between the Exit Signs, realizado pelo trio liderado por ele e formado por Paul Motian (baterista) e Charlie Haden (baixista). Mais tarde, após a entrada do saxofonista Dewey Redman, o grupo atingiu notoriedade por suas improvisações inovadoras. Entre 1970 e 1971, tocou piano junto com o grande trompetista Miles Davis, com quem a parceria se destaca no álbum  Get Up with It, lançado em 1974.

 

Foto: TASUHISA YONEDA / ECM RECORDS.

 

Jarrett, paralelamente ao seu trabalho com o quarteto americano, formou um quarteto com os músicos europeus Jan Garbarek (saxofonista), Pelle Danielsson (baixista) e Jon Christensen (baterista). Desse encontro nasce o sucesso My Song (1978), álbum que conquista os ouvidos de um público de jazz mais conservador. O terceiro grupo de extrema relevância na carreira do pianista foi o trio composto pelo baixista Gary Peacock e o baterista Jack DeJohnette. O trio permanece junto desde 1983 e desta parceria foram produzidos inicialmente os álbuns Standards, Vol. 1 e vol. 2 e Changes. Além disso, ao longo da trajetória do grupo, realizaram turnês e gravações de shows, tendo como maior período de atividade os anos 1980 e o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

Além de exímio pianista, Jarrett é um multi-instrumentista. Nos anos 1960, Stan Getz convidou Keith para participar de sua tour após vê-lo em um solo de guitarra. Em Eyes of the Heart, Jarrett toca um extenso solo de sax. Em Spirits e No End, ele toca todos os tipos de percussão. Mas foi ao piano que acabou fixando sua marca, com improvisações nos solos ou tocando música clássica.

Por sinal, poucos músicos de jazz se aventuraram a gravar música clássica, o que faz de Jarrett corajoso, afinal, o piano é o coração da tradição clássica ocidental. Talvez fosse por pura implicância que alguns críticos hesitaram em colocar Keith no panteão de grandes pianistas, ou talvez fosse porque ele escolheu não dedicar-se ao cânone. Jarrett costuma dizer que Bach era um improvisador e é sabido que Beethoven gostava mesmo era de detonar possíveis rivais no que hoje o jargão do jazz chamaria de cutting contests (algo como uma batalha musical que acontecia dos anos 1920 aos 1940). Isso nos mostra que o espírito improvisador de Jarrett o aproxima destes grandes compositores que teimam em desobedecer as partituras.

Em 2018, o músico foi agraciado com o prêmio máximo da Bienal de Veneza mas, infelizmente, não pôde se apresentar na cerimônia por problemas de saúde. Durante aquele ano, toda a sua turnê foi cancelada. Há pouquíssimo tempo o artista quebrou o silêncio e revelou que teve um derrame em fevereiro de 2018, seguido por outro, em maio. Esses dois acidentes vasculares fizeram com que a volta aos palcos seja improvável, conforme o próprio Jarrett. Apesar da triste notícia, Keith Jarrett está se recuperando aos poucos, e é para celebrar esta incrível trajetória de uma lenda viva do jazz que te esperamos no próximo dia 10!

 

 

CURIOSIDADES

Você sabia que, em seu primeiro disco solo, Jarrett gravou todos os instrumentos? Restoration Ruin, lançado em 1968, não é considerado um álbum de jazz e sim de folk-rock. Nele podemos conferir a performance do músico tocando piano, saxofone, gaita, bateria e guitarra. Escute no Spotify!

A participação de Keith Jarrett no Jazz Festival Antibes, na França, em 1974, está disponível no Youtube! Você também pode ouvir o áudio de um concerto dele em Paris aqui. Aproveite!

Keith Jarrett ganhou um dos prêmios mais importantes das artes: o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, uma das exposições mais antigas e renomadas do mundo! Para saber mais, clique aqui.

 

 

DICAS DO LING

Bateu vontade de saber um pouquinho mais sobre a vida e a obra do Keith? Você pode comprar a biografia dele aqui ou o livro Keith Jarret: The Man and His Music.

Ficou com vontade de ouvir a obra dele? Escute nas plataformas: Youtube Music, Spotify e Deezer.

Além de Keith Jarrett, que tal ouvir a playlist especial que criamos no Spotify com todos os homenageados que passaram pelas nossas queridas Audições Comentadas de Jazz? Escute aqui.

Pra quem se arrisca no inglês: vale conferir uma entrevista do Keith para uma tv suíça aqui e ver esse vídeo que fala sobre as improvisações do nosso homenageado!

 

 

REFERÊNCIAS

Artigo do The Guardian escrito por Geoff Dyer. Disponível aqui.

Artigo do All Music escrito por Thom Jurek. Disponível aqui.

Reportagem da Folha de São Paulo escrita por Nate Chinen. Disponível aqui