Ópera: Estética e Psicanálise | Vamos falar sobre paixão? Foto: Unsplash

Ópera: Estética e Psicanálise | Vamos falar sobre paixão?

O segundo encontro da programação Ópera: Estética e Psicanálise acontece no próximo dia 27, às 19h. A partir do tema Paixão, o Maestro Ronel Alberti e o professor Rafael Werner irão conduzir um recital lírico comentado. A audição, que tem curadoria do barítono Carlos Rodriguez, contará com a participação dos músicos Helena Losada (soprano), Leonardo Menin (tenor) e Rodolfo Wulfhorst (piano), interpretando obras dos compositores Mozart, Donizetti, Lehár e Verdi.

Os comentários a par da performance dos solistas guiarão o público pelas motivações ocultas e pela estética filosófica e psicanalítica de personagens imortais da história da música.

Confira abaixo informações sobre as óperas que serão abordadas e as sinopses das árias interpretadas no encontro.

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DON GIOVANNI, de WOLFGANG A. MOZART (1756-1791)

É uma ópera em dois atos com música do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart e libreto do autor italiano Lorenzo Da Ponte. Sua primeira apresentação foi realizada em Praga, no Teatro Nacional, em 29 de outubro de 1787.  Trata-se de um dramma giocoso, termo que descreve uma obra que contém um misto de ação cômica e séria.

O protagonista foi inspirado no personagem histórico Don Juan Tenorio – blasfemador, audacioso e de reputação escandalosa –, mencionado pela primeira vez na literatura em El Burlador de Sevilla, de Tirso de Molina (1571-1641), e que chegou a despertar desconfiança de que tenha mesmo existido, no entanto não há provas suficientes que corroborem tal hipótese.

Don Giovanni é considerada uma das obras-primas da história das óperas.

Na trama ambientada na Sevilha do século XVII, o famoso sedutor Don Giovanni conquista diversas mulheres e depois as abandona. No final, acaba sendo arrastado para o inferno em pagamento por seus pecados.

“Dalla sua pace”

Don Giovanni está nos aposentos de Donna Anna, tentando seduzi-la. O velho pai da jovem, o Comendador, entra no quarto e bate-se com Don Giovanni; no duelo, o Comendador é morto de forma traiçoeira. Depois que Donna Anna pede a Don Ottavio, seu noivo, que se vingue de Don Giovanni por ter matado seu pai, a sós, Don Ottavio expressa seu amor e preocupação por ela: “Da sua paz, a minha depende”.

Escute aqui Dalla sua pace”, interpretada pelo tenor Matthew Polenzani.

 

A FLAUTA MÁGICA, de WOLFGANG A. MOZART (1756-1791)

É um singspiel (ópera com diálogos falados) em dois atos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto em alemão de Emanuel Schikaneder. Estreou no Theater auf der Wieden, em Viena, no dia 30 de setembro de 1791.

Schikaneder e Mozart eram amigos e membros da mesma loja maçônica. O primeiro era cantor e empresário de uma companhia teatral e havia convencido Mozart a compor música para um espetáculo de marionetes: um conto sobre um malvado feiticeiro que raptara a filha da Rainha da Noite. No entanto, um teatro concorrente estreara, com grande sucesso, um conto de fadas, o que levou Schikaneder a reescrever seu libreto.

Na época, Maria Theresa – soberana da Áustria – fechara as lojas maçônicas, inspirando Schikaneder a levar para os palcos os ritos proibidos. Do feiticeiro perverso do conto original, fez Sarastro, o sábio sacerdote de Ísis; as provas a que são submetidos Tamino e Pamina apresentam cópias do cerimonial de iniciação maçônica; a ação foi situada no Egito, onde se presume ter surgido a maçonaria; entre outros. Alguns autores, ainda, identificam em Tamino o Imperador Joseph II; em Pamina, o povo austríaco; em Sarastro, o eminente cientista e maçom Ignaz von Born; na vingativa Rainha da Noite, a própria Maria Theresa; e, em Monostatos, o clero.

A Flauta Mágica estreou dois meses antes da morte do compositor.

“Ach, ich fühl’s”

Pamina foi sequestrada por Sarastro, rei e sacerdote de Ísis. A Rainha da Noite, mãe de Pamina, promete a mão da donzela ao príncipe Tamino, se ele conseguir resgatá-la com segurança do Templo do rei. Tamino e Pamina se encontram pela primeira vez e se apaixonam, mas, antes que o casal possa se unir, o rei pede que Tamino e seu acompanhante, Papageno, sejam preparados para a iniciação aos mistérios da sabedoria para se unirem à fraternidade do templo. O futuro casal é, então, separado. Mais tarde, atraída pelo toque da flauta de Tamino, Pamina o encontra e fica desesperada quando ele não fala com ela, sem saber que o jovem príncipe está sob voto de silêncio.

Clique aqui para escutar “Ach, ich fühl’s”, na voz da soprano Felicity Lott.

 

DON PASQUALE, de GAETANO DONIZETTI (1797-1848)

É uma opera buffa em três atos de Gaetano Donizetti, com libreto de Giovanni Ruffini. Estreou no Théâtre Italien, em Paris, no dia 03 de janeiro de 1843. Foi a antepenúltima das 66 óperas que Donizetti escreveu.

“Quel guardo il cavaliere”

Don Pasquale é um velho celibatário, rico, polido e bondoso. Quer que seu sobrinho Ernesto se case com uma pretende que ele aprove, mas ele ama Norina, uma bela e pobre jovem que depende do dinheiro do tio. No trecho a ser apresentado, Norina está lendo um romance sobre o amor. Depois de ler uma passagem em voz alta, ela explica que conhece todos os truques para enredar um homem.

Clique aqui para escutar “Quel guardo il cavaliere”, interpretada pela soprano Regula Mühlemann.

 

O ELIXIR DO AMOR, de GAETANO DONIZETTI (1797-1848)

É uma opera buffa em dois atos de Gaetano Donizetti, com libreto de Felice Romani. Estreou no Teatro della Canobbiana, em Milão, no dia 12 de maio de 1832.

Com libreto e música criados em duas semanas por encomenda do gerente do teatro, a história se passa em uma aldeia basca no final do século XVIII, onde Nemorino, um rapaz ingênuo e pobre, apaixona-se por Adina, moça rica, que está interessada em Belcore, um militar de passagem pela região. Nemorino encontra no charlatão Dulcamara, que vende um “elixir do amor”, esperança para conquistar sua amada.

“Una furtiva lagrima”

Nemorino, apaixonado por Adina, sem saber, acabara de herdar uma fortuna de um tio distante. Após beber uma segunda garrafa do “elixir do amor” (que, na verdade, nada mais é do que vinho) vendido pelo charlatão Dulcamara, é cercado pelas mulheres da aldeia, que já receberam a notícia, e deduz ser objeto de tanta atenção por efeito da “milagrosa” poção. Confiante, ele as trata com indiferença, assim como a seu amor Adina. Magoada, ela se retira. Nemorino, vendo sua infelicidade, julga que Adina se importa com ele e canta, então, sua alegria: “Uma furtiva lágrima vi despontar em seus olhos”.

Clique aqui para ouvir “Una furtiva lagrima”, interpretada pelo tenor Lawrence Brownlee.

 

GIUDITTA, de FRANZ LEHÁR (1870-1948)

É uma musikalische Komödie (comédia musical) em cinco cenas, com música de Franz Lehár e libreto em alemão de Paul Knepler e Fritz Löhner-Beda. Estreou na Wiener Staatsoper, em Viena, no dia 20 de janeiro de 1934.

A estreia atraiu mais atenção do que qualquer uma de suas obras anteriores. Foi transmitida ao vivo por 120 estações de rádio em toda a Europa e nos Estados Unidos e teve 42 apresentações em sua temporada de estreia. Apesar do grande interesse inicial, Giuditta logo desapareceu do repertório. Foi o último e mais ambicioso trabalho de Lehár.

“Meine Lippen, sie küssen so heiß”

A sedutora Giuditta abandona seu marido Manuele e foge com Octavio, um oficial do exército, para o Norte da África. Obrigações militares intervêm e Octavio deixa Giuditta para trás. Ela se torna uma dançarina de boate e é descoberta por Octavio, depois que ele abandona sua unidade. Giuditta é um sucesso em sua nova profissão, mas a autoestima de Octavio é destruída e ele se torna um pianista de clube. Na ária a ser apresentada, Giuditta exalta seu poder de sedução: “Meus lábios beijam ardentemente”.

Clique aqui para ouvir “Meine Lippen, sie küssen so heiß”, interpretada pela soprano Anna Netrebko.

 

LA TRAVIATA, de GIUSEPPE VERDI (1813-1901)

É uma ópera em três atos de Giuseppe Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave, baseada na peça La Dame aux Camélias, de Alexandre Dumas Filho. Estreou em 06 de março de 1853, no Teatro La Fenice, em Veneza.

A ópera foi um fracasso quando de sua estreia e há claras indicações em correspondências de Verdi de que ele estava plenamente consciente do valor de sua obra e atribuía seu fracasso aos intérpretes e ao público – o tenor que interpretou Alfredo estava rouco, o barítono interpretou um Germont sem convicção, a soprano que interpretou Violetta “estava corpulenta demais” e a cena em que morria de tuberculose foi recebida com risos pela plateia. Quando a ópera foi reapresentada em Veneza um ano depois, o mesmo público a acolheu triunfalmente.

“De miei bollenti spiriti”

A cortesã Violetta Valéry é apresentada a Alfredo Germont que, fazendo um brinde a ela, declara-lhe o seu amor.  Violetta responde a Alfredo que, sendo uma “mulher mundana”, não sabe amar e que só lhe poderia oferecer amizade. Após a festa, Violetta permanece só e começa a dar-se conta do quão profundamente lhe tocaram as palavras de Alfredo, “um amor que ela jamais conhecera anteriormente”. Violetta e Alfredo iniciam um relacionamento amoroso e vão morar em uma casa de campo nos arredores de Paris. Alfredo canta a felicidade de estar junto de sua amada.

Clique aqui para ouvir “De miei bollenti spiriti”, interpretada  pelo tenor Piotr Beczała.

 

DICAS DO LING

Você pode conferir a montagem completa da Ópera Don Giovanni, realizada pelo Theatro São Pedro (SP). Disponível aqui!

Confira o webinar Mitologia e Ópera: Aspectos Simbólicos Na Ópera "A Flauta Mágica”, realizado pelo Theatro da Paz, com a professora de filosofia Lúcia Helena Galvão.  Disponível aqui!

Assista a ópera A Flauta Mágica, de Mozart, interpretada pelo grupo Hamburg State Opera Orchestra & Chorus, em 1971. Disponível com legendas em português, clique aqui

O Theatro Colón, na Argentina, realizou a Ópera Don Pasquale, de Gaetano Donizetti! Ela está disponível para assistir no YouTube com legendas em espanhol. Confira aqui!

 

Referências

HAREWOOD, C. (Ed.). Kobbé: o livro completo da ópera. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1991.

Site The Aria Database. Disponível aqui.