Quem foram Franz Schubert e Felix Mendelssohn, compositores românticos de melodias imortais Franz Schubert e Felix Mendelssohn-Bartholdy

Quem foram Franz Schubert e Felix Mendelssohn, compositores românticos de melodias imortais

Nesta quinta-feira, 7 de outubro, a partir das 19h, te esperamos no Instituto Ling para mais um encontro do Audições Comentadas de Música Erudita, para conhecer a vida e a obra de Franz Schubert e Felix Mendelssohn. Este é um material de apoio para que você possa dar os primeiros mergulhos nas vidas e obras de nossos homenageados.

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FRANZ SCHUBERT

Franz Schubert nasceu em 31 de janeiro de 1797, na cidade de Himmelpfortgrund, um pequeno subúrbio de Viena, Áustria. Filho de um mestre-escola da paróquia e músico amador, Schubert teve 13 irmãos, dos quais nove morreram ainda durante a infância. Os mais velhos, Ignaz e Ferdinand, inspirados pelo pai, também gostavam muito de música, o que foi transmitido para Schubert desde a tenra idade.

Aos cinco anos, Schubert iniciou os estudos musicais e aos seis entrou para a escola de Lichtenthal, onde seu pai dava aula e era muito respeitado. Seu conhecimento sobre o violino foi transmitido pelo pai, enquanto seu irmão mais velho Ignaz lhe ensinou sobre o piano. Aos sete anos, já havia superado as habilidades musicais de ambos, sendo então entregue para Michael Holzer, o mestre de capela da igreja de Lichtenthal, para aprofundar seus conhecimentos.

Com 11 anos, seu pai o levou para participar de um concurso para coristas da Capela Imperial, onde António Salieri, compositor oficial da corte, selecionaria os novos cantores. Com suas excelentes habilidades de canto, Schubert conquistou uma vaga no coro e uma bolsa de estudos para a escola Stadtkonvikt, uma das melhores de Viena. Na escola, praticou muito com uma orquestra e teve seu primeiro contato com as sinfonias e aberturas de Mozart, desenvolvendo seu senso pessoal da música da época.

Seu interesse pela música de câmara se desenvolveu muito neste período. Aos domingos, em casa, tocava viola com seu irmão ao violino e o pai no violoncelo.  Nos anos seguintes que passou na escola Stadtkonvikt, ainda escreveu muitas peças de músicas de câmara, peças para piano, um octeto de instrumentos de sopro, e, em homenagem à sua mãe no seu falecimento, produziu uma cantata. Ao final dos seus estudos, compôs sua primeira sinfonia.

No final do ano de 1813, Schubert começou a trabalhar como professor primário da escola de seu pai, a fim de evitar o serviço militar. Infeliz no trabalho, continuava a compor, agora tendo aulas particulares com Antonio Salieri, que o aborrecia acusando-o de plagiar Mozart. Até 1816 se manteve com Salieri aprendendo sua base musical.

Em 1814, escreveu sua primeira ópera completa, Des Teufels Lustschloss (D.84), e sua primeira missaem fá maior (D. 105). Mas foi em 1815 que começou a se dedicar exclusivamente à música, produzindo como nunca, levando uma vida boêmia, sem dinheiro para se sustentar e precisando da ajuda de amigos para manter-se. No ano que se seguiu, produziu suas duas novas sinfonias: a Quarta sinfonia em dó menor (D.417), a "Trágica"; e a Quinta sinfonia em si bemol (D.485).

Em 1818, teve sua primeira apresentação pública em um concerto numa prisão, onde fez uma paródia à Rossini. Neste ano, teve sua nomeação oficial como Mestre de Música da família do Conde Johann Esterhazy, em Zelesz, para a qual chegou a compor canções e outras peças musicais para piano.

Já em 1820, Schubert apresenta mais maturidade e desenvolvimento de estilo em suas composições, ganhando maior visibilidade pelo seu trabalho. Durante sua vida, ele não atingiu seu ápice ou recebeu o merecido reconhecimento pelo seu trabalho, responsabilidade essa dos intermediários que restringiam a publicação de suas obras.

A partir de 1821, Schubert fica obsessivo com os palcos e faz inúmeras tentativas de alcançá-los novamente, mas fracassou. Suas obras Alfonso und Estrella e Fierabras (D.796) foram recusadas; Die Verschworenen ("Os conspiradores") (D.787), censurada; e Rosamunde ("Rosamunda, princesa do Chipre), (D.797) incompleta. Nos anos seguintes, Schubert ficou mais recluso.

Em 1824, escreveu o excelente Octeto em fá maior (D.803) e o quarteto para cordas em lá menor. Neste período, muitos biógrafos mencionam que Schubert se apaixonou por uma de suas alunas, mas sem poder se relacionar com ela devido a sua classe social inferior, sua vida passou a ficar ainda mais difícil.

A partir de 1825, o mau tempo parecia começar a se esvair, dando espaço a muitas composições e publicações, tendo inclusive sua vida financeira melhorado. Três anos depois, em 19 de novembro de 1828, veio a falecer. Ele sofria de sífilis desde 1822, mas, segundo registros da época, morreu de febre tifóide.

Em seu epitáfio, escrito por Franz Grillparzer, diz: "A arte da música enterrou aqui grandes riquezas, e esperanças ainda maiores".

“Hoje, as características que faziam com que a música para piano de Schubert fosse considerada de escrita ingrata são exatamente à prova de sua grandeza. Foi preciso que se superasse o lado mais extrovertido e, de certa maneira, mais superficial do Romantismo, para que os músicos e seu público pudessem se dar conta de como ela era rica – e atual.” (COELHO, Lauro Machado. Acervo CONCERTO: A vida de Franz Schubert. Concerto, 2009.)

 

Franz Schubert nunca chegou a ter em vida seu trabalho reconhecido pela excelência que merecia. Apenas em 1839, após Felix Mendelssohn reger a estreia de sua Nona Sinfonia em Leipzig, que o mundo musical alemão se deparou com a magnificidade da obra.

 

FELIX MENDELSSOHN

Uma das figuras mais importantes do período romântico, Felix Mendelssohn nasceu em 3 de fevereiro de 1809, em Hamburgo, na Alemanha. Neto do filósofo Moses Mendelssohn, fazia parte de uma família de banqueiros ricos. Desde pequeno teve acesso a melhor educação possível, começando a compor com apenas nove anos de idade. Em seguida, iniciou os estudos na escola Berliner Singakademie, aprendendo sobre composição com Carl Friedrich Zelter, diretor da instituição. Lá, aprendeu não somente sobre música, mas também sobre história, filosofia, literatura e arte.

Ao completar 15 anos, seu professor Zelter afirmou que nada mais tinha a lhe ensinar. Durante os dois anos seguintes, Mendelssohn frequentou a universidade de Berlim, tendo contato com grandes professores, como Hegel, Carlos Hitter e Eduardo Gans. Mendelssohn falava diversos idiomas e chegou até mesmo a estudar artes plásticas com João Gottlob Rösel, da Academia de Belas Artes de Berlim. Nosso homenageado pintou durante toda a sua vida, se destacando na técnica da pintura e aquarela. Além disso, apresentava um bom desempenho nos esportes, costumava praticar equitação e natação.

Posteriormente, frequentou também a academia de Canto de Berlim, onde aprendeu a arte da instrumentação e da regência de coral. O destaque do jovem compositor em tudo ao que se propunha tinha com certeza relação com sua formação educacional de altíssima qualidade, e no ambiente em que vivia, o propiciava contato com importantes e influentes intelectuais. Por fim, ao terminar seus estudos, decidiu dedicar-se à música.

Aos 18 anos, Mendelssohn se revela para o mundo como um gigante compositor ao apresentar a abertura Sonho de uma noite de verão. Dois anos depois, ele vem a reger Paixão segundo São Mateus, de Bach, na sua escola Berliner Singakadamie, fazendo com que a música de Bach fosse redescoberta na época. Em seguida, ele parte para uma série de viagens que serviram tanto como complemento de sua formação como também de inspiração para suas composições. Indo à Inglaterra e à Escócia criou a hoje conhecida Sinfonia nº 5 (“Reforma”), o esboço da “Escocesa” (nº 3) e da abertura As hébridas (também chamada de A gruta de Fingal). Após uma grande viagem para a Itália, surgiu a luminosa Sinfonia italiana (nº 4), talvez a mais famosa de todas as suas obras do gênero.

Após seu período de viagens pela Europa, no início da década de 1830, se estabelece em Düsseldorf, na Alemanha, e se dedica exclusivamente à música. No ano de 1835, se torna diretor da Orquestra de Gewandhaus, a qual recebe grande prestígio até o dia de hoje. Ademais, Mendelssohn se apresentou nesta época como um grande programador, recuperando os concertos para piano de Mozart e programando com regularidade obras de Beethoven e Weber. Devido a escalada de seu interesse pelo oratório, foi capaz de compor dois grandes oratórios: Paulus (1836) e Elias (1844).

Em 1837 se casou com Cécile Jeanrenaud, filha de um clérigo da Igreja Reformada Francesa, com quem teve cinco filhos: Carl, Marie, Paul, Lili e Felix August. Aparentemente, fora uma união tranquila, sem muitos estorvos, como já havia acontecido com outros músicos românticos.

Em 1839, Mendelssohn recebeu o manuscrito da Nona Sinfonia, descoberta por Robert Schumann e criada por Franz Schubert, e estreou em Leipzig, sendo um grande sucesso. Dois anos depois, recebeu a oferta de se tornar mestre de capela do rei da Prússia, passando a ter que se dividir entre Leipzig e Berlim. Após muitas tentativas, fundou o Conservatório de Leipzig, conhecido hoje como Hochschule für Musik und Theatre "Felix Mendelssohn Bartholdy", onde conseguiu convencer Schumann a lecionar composição e piano. Ferdinand David, a quem Mendelssohn dedicaria seu Concerto para violino op. 64, ficou encarregado das aulas de violino. Por esta época, nosso homenageado também concluiu o ciclo Canções sem palavras, oito volumes de pequenas peças para piano, o que veio a se tornar uma de suas obras mais importantes. 

Seu último trabalho musical foi a sinfonia Lobgesang no ano de 1840. Em 1847, o compositor sofreu muito com a morte de sua irmã mais velha, Fanny. Para a biógrafa Brigitte Massin, o luto causou seu próprio desaparecimento, “a extirpação definitiva da lembrança de uma infância encantada”. Seis meses depois, em 4 de novembro, Mendelssohn veio a falecer devido a um derrame cerebral, o mesmo que havia matado sua irmã.

 

CURIOSIDADES

Schubert escreveu uma versão de Ave Maria, cantada em alemão e composta como parte do Opus 25, para o poema A Dama do Lago, de Walter Scott.

Em 1888, 60 anos após a morte de Schubert, seu corpo foi transferido ao Zentralfriedhof – Cemitério Central – da capital austríaca, onde repousa junto ao de Beethoven, no chamado Panteão dos Artistas.

A família de Mendelssohn era judia, porém se converteu ao cristianismo para que seus membros pudessem ser aceitos na alta burguesia alemã. Após a conversão, membros da família passaram a utilizar o sobrenome cristão Bartholdy, em lugar do sobrenome judeu Mendelssohn.

Mendelssohn compôs, em 1842, uma das principais e mais conhecidas obras: a Marcha Nupcial, a qual é, até hoje, presença obrigatória no início e no final das cerimónias de casamento em todo o mundo.

O poeta Heinrich Heine (1797-1856) afirmou certa vez sobre seu contemporâneo Felix Mendelssohn: “Excetuando-se o jovem Mendelssohn, que é um segundo Mozart – e sobre isso todos os músicos estão de acordo – não conheço nenhum outro músico genial em Berlim”. E para acompanhar a leitura, que tal uma coletânea com as melhores músicas clássicas de Mendelssohn?

 

DICAS DO LING

Preparamos uma playlist especial para você entrar no clima de nossos ilustres homenageados! Escute no Spotify do Instituto Ling.

Schubert no cinema: confira o trecho do filme Barry Lyndon (1975) em que a personagem toca a música Piano Trio No. 2 de Schubert. Aqui você vê trecho do filme Amour (2012) em que a música Impromptu No. 3 em Sol bemol maior, op. 90, D. 899, é interpretada pela protagonista vivida pela atriz francesa Emmanuelle Riva (indicada ao Oscar de Melhor Atriz por esse papel).

Ainda curioso sobre Mendelssohn? Confira este vídeo do youtuber Franz Ventura, em que ele fala de toda a vida e trajetória do artista.

A Orquestra Ouro Preto resgata um concerto inédito de Mendelssohn para o público, durante a quarentena do covid-19, apresentado no Concerto para Violino e Orquestra em Ré Menor, com participação do solista Carmelo de Los Santos, ao violino.

 

REFERÊNCIAS

BIOGRAPHY, Editores da. Biografia de Felix Mendelssohn. Biography, 2014. DISPONÍVEL EM:<https://www.biography.com/musician/felix-mendelssohn> Acesso em: 08/09/2021

COELHO, Lauro Machado.Acervo CONCERTO: A vida de Franz Schubert. Concerto, 2009. DISPONÍVEL EM <https://concerto.com.br/noticias/arquivo/acervo-concerto-vida-de-franz-schubert> Acesso em: 30/08/2021

DESCONHECIDO. Compositor e regente de orquestra alemão: Felix Mendelssohn. UOL Educação. DISPONÍVEL EM: <https://educacao.uol.com.br/biografias/mendelssohn.jhtm> Acesso em: 08/09/2021

DESCONHECIDO. Mendelssohn. Portal São Francisco. DISPONÍVEL EM: <https://www.portalsaofrancisco.com.br/biografias/mendelssohn> Acesso em 08/09/2021

Franz Schubert. Wikipedia. 2021. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Schubert> Acesso em: 30/08/2021

FRESCA, Camila. Acervo CONCERTO: A vida de Felix Mendelssohn. Concerto, 2014. DISPONÍVEL EM: <https://www.concerto.com.br/noticias/arquivo/acervo-concerto-vida-de-felix-mendelssohn> Acesso em: 08/09/2021