Stan Getz e sua influência na bossa nova Imagem: Museu do Jazz Norte Americano

Stan Getz e sua influência na bossa nova

No dia 26 de Novembro, a partir das 18h30, te esperamos para a terceira edição do Audições Comentadas de Jazz no formato on-line, com o jornalista Paulo Moreira apresentando a trajetória do saxofonista Stan Getz! A noite fica completa com a canja musical do saxofonista Luizinho Santos e da pianista Bethy Krieger, interpretando grandes clássicos de Getz. Este é um material de apoio para que você possa dar os primeiros mergulhos na música e na vida de nosso homenageado. Se você ainda não se inscreveu, clique aqui!

 

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Um dos maiores saxofonistas tenor de todos os tempos, Stan Getz tinha um dos tons mais bonitos da história do jazz. Conhecido como “O Som”, seu nome figura entre os grandes improvisadores por seu som e vocabulário únicos! Apesar de ser mais conhecido no Brasil por sua parceria de sucesso com João Gilberto — que levou a bossa nova para o mundo — o jazz era a sua verdadeira casa.

 

BIOGRAFIA

Stanley Gayetsky, mais conhecido como Stan Getz, nasceu em 2 de fevereiro de 1927, na cidade da Filadélfia, Pensilvânia. Durante a Grande Depressão, sua família muda-se para o Bronx em busca de oportunidades de trabalho. Desde cedo, o jovem Getz demonstrava aptidão para a música e, aos 6 anos, tocava gaita ouvindo as canções que passavam no rádio. Aos 13 anos, ganha do pai seu primeiro saxofone e clarinete. De instrumento na mão, não demorou muito para que ingressasse na All City High School Orchestra, na cidade de Nova York. Aos 16 anos, Getz abandona a escola e junta-se à banda do trombonista Jack Teagarden e passa a dedicar-se ao jazz, tocando profissionalmente.

Os anos seguintes foram de muitas parcerias de sucesso na carreira, trabalhando com nomes como o pianista Stan Kenton e os clarinetistas Jimmy Dorsey e Benny Goodman. O saxofonista alcançou o sucesso ao tornar-se líder do grupo Woody Herman's Second Herd, em que ficou de 1947 a 1949. Após sua saída, Getz passa alguns anos na Europa, envolvido em shows e trabalhando com outros grupos musicais. Quando retorna aos Estados Unidos, nos 1960, ele entra em contato com a Bossa Nova, que nascia no Brasil e começava a alcançar ouvintes pelo mundo. Getz envolve-se com o movimento musical, sendo um dos principais responsáveis pela popularização do estilo nos Estados Unidos, após lançar o premiado e polêmico álbum Getz/Gilberto (1964), em parceria com o músico brasileiro João Gilberto. Este álbum fez de Stan Getz o músico de jazz mais bem pago da história — o que lhe proporcionou morar em uma mansão em um bairro nobre de Nova York —, mas também lhe meteu em confusão, já que acabou tornando-se amante da esposa de João Gilberto, a cantora Astrud Gilberto. Depois da confusão, o músico decide voltar exclusivamente para o jazz, no qual trabalha ativamente até o final de sua vida.

 

Na foto: Stan Getz, Banana, Jobim, Creed, João Gilberto e Astrud Gilberto, em Nova York (1964) – Fonte: Álbum Getz/Gilberto.

 

Stan Getz sofreu, desde os 17 anos, com o vício em drogas e o alcoolismo, conseguindo se recuperar somente aos 60 anos. Desde os anos 1980 também enfrentava uma série de problemas de saúde que levaram o músico a falecer em 6 de junho de 1991, aos 64 anos. 

 

OBRA

Stan Getz gravou mais de 150 álbuns ao longo de sua carreira e muitos deles são considerados clássicos do jazz: Stan Getz Plays (1955), Focus (1961), Jazz Samba (1962) — responsável por levar a bossa nova para os ouvidos dos estadunidenses, e o celebradíssimo Getz/Gilberto (1964), ganhador de Grammy cujo single Girl from Ipanema conquistou as rádios pop e virou fenômeno mundial! Também não podem ficar de fora desta lista: Sweet Rain (1967), Change of Scenes (1971), Captain Marvel (1974) e seu último álbum, People Time (1992).

Influenciado por Lester Young, a lenda do saxofone tenor, Stan Getz nunca parou de inovar com seus solos que mesclavam a dureza do jazz com um romantismo exuberante. Embora preferisse tocar baladas e melodias de ritmo médio, era igualmente talentoso quando precisava de performances mais turbulentas.

 

“Poucos saxofonistas podem se comparar a intensa pureza dos tons criados por Stan Getz. Seja tocando baladas lentas ou músicas mais rápidas, ele é a mistura da leveza arejada de Lester Young com um tom suave e polido que é incomparavelmente bonito.” (site BBC)

 

A partir dos anos 1950, ele deixou a influência de Young de lado e foi buscar sua própria identidade, ficando conhecido como um dos jazzistas mais populares de sua época. Trabalhou com grandes nomes da música, como o pianista Horace Silver, os guitarristas Jimmy Raney e Johnny Smith, o trombonista Bob Brookmeyer e o arranjador Eddie Sauter. Ao lado do guitarrista Charlie Byrd, gravou o hit Desafinado, e os dois abriram caminho para a bossa nova brasileira conquistar os corações norte-americanos. Mas sua parceria de maior êxito foi com o brasileiro João Gilberto, com quem gravou um álbum com participação de Tom Jobim! Getz/Gilberto foi seu álbum mais vendido, graças ao sucesso Girl from Ipanema.

 

Stan Getz no Ronnie Scott's em 1964. Fotografia: Alamy.

 

Depois de seu sucesso estrondoso com a bossa nova, Getz volta para o jazz. Seu grupo regular nesta época era um quarteto sem piano com o vibrafonista Gary Burton. Também gravou com importantes músicos, como o organista Eddie Louiss e os pianistas Bill Evans, Chick Corea e Jimmy Rowles, provando que não tinha medo de mudar e se arriscar com experimentações. Seu último álbum, lançado apenas alguns meses antes de sua morte, é um dueto brilhante com o pianista Kenny Barron, músico que já passou pelo palco do Instituto Ling (!). Ano passado, em 2019, foi lançado o álbum Getz at the Gate, uma gravação inédita de 1961.

 

PREMIAÇÕES

Grammy - Das 17 indicações, levou 5 prêmios para casa! São eles:

 Ano | Álbum ou Música     | Prêmio

1961 | M  Desafinado       | Melhor Performance Instrumental de Jazz, Individual ou Grupo

1964 | A  Getz/Gilberto    | Melhor Performance Instrumental de Jazz, Individual ou Grupo

1964 | A  Getz/Gilberto    | Álbum do Ano

1964 | M Girl from Ipanema | Música do Ano

1991 | M Remember You      | Melhor Performance Instrumental de Jazz, Solo

 

Billboard - TOP 15 por Desafinado, em novembro de 1962 

      TOP 5 por Girl from Ipanema, em julho de 1964

 

CURIOSIDADES

Você sabia que a música Girl from Ipanema (Garota de Ipanema) já foi a 5ª mais ouvida nos Estados Unidos e já figurou no TOP da Billboard? Pois é, uma loucura! Aconteceu em julho de 1964.

Neste mesmo ano, Stan Getz e João Gilberto foram indicados ao Grammy em 4 categorias e venceram 3, sendo elas: Melhor Performance Instrumental de Jazz, Álbum do Ano e Música do Ano por Girl from Ipanema!

Getz não parava nunca! O músico gravou mais de 150 álbuns. Conheça sua discografia aqui.

 

DICAS DO LING

Ficou com vontade de mais? Escute Stan Getz no Spotify ou YouTube Music.

Que tal conferir um show dele com o incrível Chet Baker? Confira no YouTube!

Assista ao especial da BBC Stan Getz - Jazz Goes To College (1966). Disponível no YouTube.

 

REFERÊNCIAS

Artigo escrito pelo crítico musical Scott Yanow para o site All Music. Disponível aqui.

Matéria do El País sobre João Gilberto. Disponível aqui.