ACERVO

HUGO FRANÇA | Banco Parobé | 2011

HUGO FRANÇA | Banco Parobé | 2011

O banco que se encontra em nosso jardim é de pequi-vinagreiro, a mais longeva espécie da Floresta Tropical. Segundo o artista, nosso banco veio da raiz da árvore, o que significa que ele estava debaixo da terra nos aproximadamente mil anos que viveu antes de virar escultura – o que França chama de “slow made”, fazendo uma comparação com o “ready made” de Marcel Duchamp. Podemos observar texturas e formas orgânicas que são da própria árvore, causadas pelo atrito de quando ela era raiz. À época, Hugo França não fazia intervenções na madeira, pois ele entendia que o objeto de arte era identificado pelo olhar de arte que ele tem.

O pequi é resistente à decomposição, às queimadas e, por ser oleosa, não sofre tanto com a umidade. Esta árvore está presente na região da Mata Atlântica, mais no sul da Bahia e no Espírito Santo. Infelizmente, é uma espécie em extinção – por isto, o artista enfatiza que suas esculturas são ferramentas de educação ambiental.

Quer conhecer o acervo permanente ou precisa de fotos das obras em alta qualidade? Escreva para o e-mail educativo@institutoling.org.br.

ficha técnica

  • Autor

    Hugo França

  • Título

    Banco Parobé

  • Ano

    2011

  • Técnica

    Madeira Pequi

  • Dimensões

    40 x 575 x 90 cm

  • Local da obra

    Jardim

Abaixo você encontra um vídeo com a audiodescrição da obra:

 


Sobre o Artista

Hugo França
Fonte: Site Hugo França

Nascido em 1954, em Porto Alegre. Atualmente, vive e trabalha em Trancoso, na Bahia.

Foi morar na Bahia no início da década de 1980 por querer uma vida mais próxima à natureza e lá percebeu o tamanho do desperdício no uso e na extração da madeira – é isto que pauta seu trabalho até hoje. Desde o final desta década, Hugo França desenvolve “esculturas mobiliárias” – expressão usada pela crítica Ethel Leon e adotada pelo artista por descrever com precisão o trabalho que ele realiza a partir dos resíduos urbanos e florestais (árvores naturalmente condenadas, seja pela ação dos seres humanos ou por intempéries).

O processo de criação parte do diálogo com a matéria-prima – “tudo começa e termina na árvore” – e França segue o desenho já criado pela natureza para fazer o seu próprio. Com o passar do tempo, o artista foi sentindo mais liberdade para intervir e esculpir a obra. Em seu ateliê em Trancoso, troncos, raízes e partes de árvores são estocadas para serem escolhidas pelo artista posteriormente em função de sua forma orgânica e textura. E são utilizados em projetos variados: bancos, esculturas, relevos, mesas, aparadores e uma série de acessórios, como gamelas e cachepôs. Durante a produção, a ideia de motosserra é ressignificada: em vez de ser símbolo do desmatamento, ela serve como ferramenta escultórica.

 

Sobre a trajetória do artista, a crítica de design Adélia Borges comenta:

“As peças de Hugo França exercem uma espécie de magnetismo nas pessoas. Elas induzem o olhar, o toque, a proximidade do corpo. Continente seguro e sólido, nos convidam a nos aninharmos nelas. Acho que essa atração ocorre porque elas trazem em si a força da natureza, e assim comunicam-se com algo de primordial, de ancestral dentro de nós. Se são brutalistas, pesadas, ao mesmo tempo trazem um toque de suavidade, de gentileza. Pois é gentil o trabalho do designer frente às toras e raízes de árvores caídas ou pedaços de canoas que encontra: ele “apenas” esculpe a madeira, encontra em cada pedaço a forma que aquele pedaço quer ter (ou sugere). Assim, não descaracteriza a matéria, não faz contorcionismos com ela; limita-se à intervenção mínima suficiente para dar-lhe uma nova vida, como móvel ou como escultura.

Hugo trabalha na mesma linhagem dos grandes mestres Zanine Caldas e Franz Krajcberg, e deve sua iniciação aos índios pataxós, do sul da Bahia. Segue, portanto, uma trilha antiga, que com sua atuação ele ajuda a alargar para chamar as novas gerações a seguirem fazendo um uso reverencial desta matéria-prima tão caracteristicamente brasileira.”

 

Texto de abertura da exposição no Museu da Casa Brasileira (grifo da autora)

 

Em julho de 2021, o artista inaugurou a Galeria Hugo França, em Trancoso, numa área de 50 mil m², sendo que 20 mil m² são de Mata Atlântica. Este espaço, além de abrigar o ateliê de Hugo e receber exposições de outros artistas, sediará uma residência de criação artística.

No Brasil e no exterior, o artista já fez parte de diversas feiras e mostras de design, assim como participou de exposições individuais e coletivas em museus e galerias de arte. Alguns exemplos são: “É arte? É design?”, na Galeria Bolsa de Arte (São Paulo, 2020); “AMBIENTAL: Arte e Movimentos”, no MuBE (São Paulo, 2019); “Um tronco para Exu”, no MAC-USP (São Paulo, 2017) e “Casulos”, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2013), entre outras.

Suas esculturas mobiliárias integram o acervo de célebres instituições de arte no Brasil como Inhotim (Brumadinho, Minas Gerais) e o Museu da Casa Brasileira (São Paulo), além do famoso Parque do Ibirapuera (São Paulo).

Autor(a): Camila Salvá.

 

PARA SABER MAIS sobre o artista

Site do artista

Instagram do artista

Você sabia que Hugo França foi o responsável por apresentar o pequi-vinagreiro a Ai Weiwei? É o que nos conta a reportagem da Piauí sobre a saga da exposição do artista chinês, Raiz.

 

Referências

Site do artista. Disponível em: https://www.hugofranca.com.br/

Entrevista concedida à equipe do Educativo do Instituto Ling em 10/10/2022.

Exposição de Hugo França no Museu da Casa Brasileira. Disponível em: https://mcb.org.br/pt/programacao/exposicoes/hugo-franca/

Site sobre o pequi-vinagreiro. Disponível em: https://www.programaarboretum.eco.br/especie/77/pequi

Página sobre o artista na Galeria Blombô. Disponível em: https://blombo.com/artistas/hugo-franca