ACERVO

Ivan Serpa | Desenhos | 1962

Ivan Serpa | Desenhos | 1962

A obra que temos em nosso acervo é um conjunto de três quadros com imagens abstratas, cada um tem o tamanho aproximado ao de uma folha A4. De cima para baixo, no primeiro quadro é possível observar uma grande mancha preta, num fundo branco, que contêm em seu interior formas indefinidas em diferentes tons de cinza-claro. No segundo quadro, vemos pinceladas de mais ou menos 5cm, num fundo branco, que formam 6 pequenas formas indefinidas em cinza-escuro e, ao redor delas, pinceladas mais claras, com maior transparência; essas pinceladas estão dispostas duas na parte superior da folha, três no centro e uma na parte inferior à direita. Já no terceiro quadro, observamos uma figura abstrata de mais ou menos 7cm no meio da composição, ela tem tons de preto e uma linha alaranjada que segue parte de seu contorno; na parte de cima da figura, pinceladas em tons de preto, cinza-claro e laranja compõe uma forma indefinida e, na parte de baixo, as mesmas cores estão dispostas em linhas.

Quer conhecer o acervo permanente ou precisa de fotos das obras em alta qualidade? Escreva para o e-mail educativo@institutoling.org.br.

ficha técnica

  • Autor

    Ivan Serpa

  • Título

    Desenhos

  • Ano

    1962

  • Técnica

    Aguada de nanquim e guache

  • Dimensões

    28 x 28 cm

  • Local da obra

    Corredor das salas de aula

Abaixo você encontra um vídeo com a audiodescrição* da obra:

*o terceiro quadro desta audiodescrição teve que ser trocado para fins de conservação. Confira no texto acima a descrição textual da obra atualmente exposta.


Sobre o Artista

Ivan Serpa
Domínio Público

Nasceu em 1923, no Rio de Janeiro. Faleceu na mesma cidade, em 1973, com apenas cinquenta anos.

Começou a pintar nos anos 1940 e nesta mesma década estudou desenho, gravura e pintura com o austríaco Axl Leskoschek. Se manteve distante da pintura acadêmica e do modernismo nacionalista, uma vez que estava mais interessado no ritmo das formas e na estrutura da composição. Nos anos 1950 se interessa pela abstração geométrica e já na 1ª Bienal de São Paulo, em 1951, conquista o Prêmio Jovem Pintor Nacional com a obra Formas. Em 1952, participa da 26ª Bienal de Veneza e começa a dar aula na sede provisória do MAM Rio – exerceu esta atividade no museu por vinte anos!

É nesta época que organiza e lidera o Grupo Frente, juntamente com artistas como Lygia Clark, Lygia Pape, Abraham Palatnik, Hélio Oiticica, Franz Weissmann e Aluísio Carvão, interessados em fazer uma arte de vanguarda, sem compromissos com as gerações passadas. Deste grupo surge o Movimento Neoconcreto; mas, no final dos 1950, o interesse de Serpa se volta a gestos, manchas e respingos de tinta, deixando de lado sua experiência (neo)concreta.

Nos anos 1960, começa a pintar manchas informes, inspirado pelo desenho infantil, e cria imagens que ficam entre a abstração e a figuração; também atua como restaurador de livros raros na Biblioteca Nacional. Seu interesse pela figuração aumenta e o artista se identifica com o expressionismo – nesta época expõe em importantes mostras como a Opinião 65, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira. No final da década, Serpa se interessa pela op art e os trabalhos desenvolvidos marcam seu retorno à linguagem construtiva. Ao fazer uma última revisão de seu trabalho, o artista “admite que as fases figurativas foram um desvio em sua carreira fundamentalmente ligada à abstração geométrica”.

Ivan Serpa entendia a abstração enquanto liberdade poética. O crítico de arte Mário Pedrosa e “sua particular concepção de liberdade artística moderna” (SIQUEIRA, p.2) foi a maior referência teórica de Serpa. Para o crítico, o artista é um dos responsáveis pela renovação da arte brasileira, já que o artista participa do desenvolvimento da arte geométrica e abstrata.

 

“Para ambos – Pedrosa e Serpa –, a arte moderna não é um problema de estilo ou escola, mas a defesa de uma linguagem experimental e criativa, um movimento cultural que valoriza, romanticamente, o que fica marginalizado no curso da razão abstrata.”

Trecho do artigo Ivan Serpa: independência crítica e compromisso artístico (p.3)

 

Além das exposições mencionadas, Ivan Serpa participou da 27ª e da 31ª Bienal de Veneza (1954 e 1962) e da 2ª, 3ª, 4ª, 6ª, 7ª e 18ª Bienais de São Paulo (1953, 1955, 1957, 1961, 1963 e 1985, respectivamente). Recebeu o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna, em 1957, e de 1958 a 1959 viveu na Europa. Suas obras integram o acervo das instituições de arte mais relevantes do país, incluindo o MAM Rio e o MAC-USP. Fundou, em 1970, com Bruno Tausz o Centro de Pesquisa de Arte no Rio de Janeiro.

Nota: se você quiser saber mais sobre o Movimento Neoconcreto, escrevemos um texto sobre o Neoconcretismo e disponibilizamos a aula em nosso canal do Youtube.

Autor(a): Camila Salvá 

 

PARA SABER MAIS sobre a artista

A exposição Ivan Serpa: a expressão do concreto pode ser visitada on-line

Matéria d’O Globo com o filho do artista em seu ateliê

Livro sobre a vida e a obra do artista

Matéria da Istoé sobre a exposição Ivan Serpa: a expressão do concreto

 

Referências 

SIQUEIRA, Vera Beatriz. Ivan Serpa: independência crítica e compromisso artístico. Disponível em: http://www.cbha.art.br/coloquios/2004/anais/textos/113_vera_siqueira.pdf

Biografia do artista no site do MAM Rio. Disponível em: https://mam.rio/artistas/ivan-serpa/

Texto sobre o Neoconcretismo escrito por Camila Salvá para o Instituto Ling. Disponível em: https://institutoling.org.br/explore/o-neoconcretismo-e-a-ruptura-com-a-arte-tradicional

Aula sobre o Neoconcretismo com Rafael Vogt Maia Rosa no canal do Instituto Ling. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RsVp02q9ccI&t=27s